Consultas por novo primeiro-ministro do Líbano começam na segunda

Presidente Suleiman conversará com parlamentares para apontar novos candidatos ao cargo de Hariri

Efe

13 de janeiro de 2011 | 13h44

BEIRUTE - O presidente do Líbano, Michel Suleiman, iniciará na próxima segunda-feira as consultas com os deputados libaneses para escolher o novo primeiro-ministro, depois que a oposição, que inclui o partido radical xiita Hezbollah, deixou o gabinete do premiê Saad Hariri e provocou um colapso no governo.

 

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O chefe do Parlamento, Nabih Berri, indicou nesta quinta, 13, que o processo terá início ao meio-dia da segunda-feira, mas não precisou quanto tempo deve levar. Segundo a Constituição libanesa, será eleito aquele que tiver mais votos entre os indicados pelo parlamentares e pelo presidente.

 

Ao todo, 11 ministros, alguns deles do Hezbollah, renunciaram aos cargos, tornando o gabinete de Hariri inconstitucional, uma vez que não mais reunia representantes de todas as religiões. A decisão mergulha o Líbano em uma crise política e eleva os temores da volta da violência sectária.

 

O Hezbollah tomou a decisão por conta da recusa de Hariri em protestar contra as investigações do Tribunal Internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assassinato do ex-premiê Rafik Hariri, pai de Saad. Especula-se que membros do Hezbollah serão indiciados por envolvimento no crime. O Hezbollah ainda acusa o premiê de ter se rendido às pressões do Ocidente.

 

O gabinete de Suleiman anunciou que as renúncias foram aceitas e que Saad Hariri seria convidado a permanecer no cargo interinamente. Em comunicado, ele pediu ao governo para que "mantenha uma capacidade temporária até que um novo governo seja formado". O premiê, porém, está em viagem na França, onde se encontrará com o presidente francês Nicolas Sarkozy.

 

A composição do governo libanês é sempre fruto de prolongadas negociações e é formado por 30 ministros. O atual bloco opositor é formado por xiitas e cristãos, enquanto o governista, do premiê Hariri, é composto por sunitas e cristãos radicais.

 

A lei libanesa prevê que todo governo deve incluir representantes de todas as religiões do país - xiitas. sunitas, druzos e cristãos. Com a saída da oposição e do Hezbollah, a coalizão torna-se ilegal, já que não tem representantes xiitas.

 

O Líbano é um Estado sectário, já que não existe maioria religiosa. Os cristãos, sunitas e xiitas representam aproximadamente um terço da população cada. Censos não são realizados, o que inviabiliza a determinação de números exatos.

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