Consumo moderado de álcool é bom para o coração

Os abstêmios têm menos probabilidade de sobreviver a um ataque cardíaco do que aqueles que bebem uma dose diária de bebida alcoólica, afirma uma nova pesquisa publicada hoje pelo Journal of the American Medical Association.Pesquisas prévias indicavam que os consumidores moderados de álcool tinham menos probabilidade de sofrer um ataque cardíaco do que os abstêmios, e que o excesso de álcool está vinculado à insuficiência cardíaca. Mas não há muitos dados sobre os efeitos de uma ingestão moderada de álcool na sobrevivência a um ataque cardíaco nem na insuficiência cardíaca.Apesar das crescentes evidências, os médicos não estão dispostos a receitar álcool de forma rotineira a seus pacientes, já que a ingestão moderada pode não ser tão positiva para o resto do organismo. Segundo o artigo assinado pelo doutor Arthur Klatsky, pesquisador da divisão de cardiologia da Kaiser Permanente de Oakland, Califórnia, entre as "questões não respondidas" incluem-se os efeitos sobre o câncer de mama, os defeitos fetais e o câncer do cólon.Segundo Klatsky, beber moderadamente também leva ao risco da "propensão ao problema do alcoolismo". Para ele, os médicos devem pesar os riscos individuais para determinar a "equação risco-benefício" do consumo de álcool.Um outro estudo, do doutor Kenneth J. Mukamal e colegas, do Beth Israel Deaconess Medical Center de Boston, indica que, comparados com os abstêmios, aqueles que bebem pouco evidenciaram uma taxa de mortalidade por ataque cardíaco 20% menor e os que bebem diariamente e com moderação, de 30%.Os pesquisadores de Boston destacaram ter sido comprovado que o álcool aumentava os níveis de lipoproteínas de alta intensidade, denominadas de bom colesterol, que podem reduzir a probabilidade de que se formem coágulos no sangue.Uma outra pesquisa, esta liderada pelo cardiologista Jerome Abramson, da Emory University, mostra que, comparados com os abstêmios, aqueles que consomem pelo menos um trago e meio diário tiveram entre 20% e 50% menos probabilidade de padecer de insuficiência cardíaca. Efeitos similares foram comprovados com qualquer tipo de bebida alcoólica.Entretanto, os autores advertem que os resultados devem "ser interpretados com cautela", já que não foram estudados outros fatores importantes, como uma dieta e um estilo de vida saudáveis.

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