Contagem inicial no Peru aponta disputa acirrada por vaga no 2º turno

Uma contagem rápida, baseada em atas das mesas de votação, promovida pela empresa de pesquisa Apoyo indica uma disputa voto a voto entre o ex-presidente Alan García, da Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), e a conservadora Lourdes Flores, da Unidade Nacional (UN), pelo direito de enfrentar o nacionalista Ollanta Humala no segundo turno da eleição peruana, em 7 de maio. O resultado não é oficial e tem uma margem de erro de até 2 pontos porcentuais. Somadas 83,5% das atas, Humala obtinha 30% dos votos da eleição deste domingo, seguido por Lourdes (24,9%) e García (23,5%). As cifras divergem das divulgadas na pesquisa de boca-de-urna do mesmo instituto, o mais respeitado do país, que registrou uma ligeira vantagem de García, com 24,5%, sobre Lourdes, com 24,2%. Neste estudo, Humala lidera com 29,6%. O presidente da Apoyo, Alfredo Torres, ponderou que o resultado da contagem rápida ainda não incluía as atas das regiões mais remotas do país, onde a rejeição a Lourdes é mais forte e o Apra mais organizado. Outros institutos apresentaram resultados semelhantes, com Lourdes e García alternando-se no segundo lugar. As projeções do Apoyo também mostravam que o partido de García deve obter a maior bancada entre os 120 congressistas do Peru, com 20,7% dos votos. A União Pelo Peru, de Humala, teria recebido 17,7% e a UN, de Lourdes, 17,1%. Um dado confirmado é o significativo ressurgimento do fujimorismo na cena política peruana. A candidata da Aliança para o Futuro (AF), Martha Chávez, teria ficado em quarto lugar na eleição presidencial, com 7% - superando o ex-presidente Valentín Paniagua, da Frente de Centro. Além disso, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko, deve ser a deputada mais votada na eleição. A bancada fujimorista, segundo o estudo, será a quarta maior do Congresso, com 12,9%. A Frente de Centro obteria 8,6% e o partido do presidente Alejandro Toledo, Peru Possível, receberia 4,2% dos votos - 0,2 ponto porcentual mínimo para que um partido possa ter uma bancada. Humala, cujo discurso em favor da renegociação de contratos com empresas estrangeiras desperta temores em setores da sociedade, acusou Toledo de intervir no processo para tentar impedir sua vitória. Durante um pronunciamento, Toledo pediu aos peruanos que refletissem antes de votar em algum candidato "que possa dividir o país e pôr em risco os avanços democráticos". Em seu último comício, Humala, acusado de ter sua campanha financiada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que, se eleito, proibiria Toledo de deixar o Peru até que prestasse contas de seus atos de governo.

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