Contagem inicial sugere derrota de islâmicos na Líbia

As primeiras eleições nacionais na Líbia em quase cinco décadas deram algumas indicações de que partidos mais liberais estão vencendo seus rivais islâmicos. Embora os resultados finais das eleições parlamentares de sábado ainda possam demorar dias, contagens não-oficiais e parciais nas maiores cidades do país sugerem que facções liberais estão vencendo a Irmandade Muçulmana e seus aliados.

EQUIPE AE, Agência Estado

08 de julho de 2012 | 20h05

Se essa tendência for mantida - o que ainda é bastante incerto -, representará um desafio à tese de ascensão do poder islâmico, após a queda de regimes aliados ao Ocidente, da Tunísia ao Egito. Pode também evidenciar as diferenças da dinâmica política na Líbia, onde a fidelidade tribal é algo bastante arraigado. Além disso, a Irmandade Muçulmana chegou a colaborar com o regime de Muamar Kadafi.

"Qualquer um que tenha ligações passadas com o antigo regime é odiado, até mesmo desprezado", disse o analista político líbio Fathi al-Fadhali, que é pró-islâmico e viveu no exílio por 30 anos. "Quaisquer nomes associados com o regime são imediatamente manchados politicamente por essa associação."

O parlamento, de 200 assentos, terá a tarefa de formar um governo, o que pode se transformar num teste de força para islâmicos e forças seculares em temas como direitos das mulheres, o alcance da lei islâmica tradicional e as relações com os Estados Unidos e outras nações ocidentais que ajudaram a derrubar o regime de Kadafi. Os assentos são destinados a dois grupos: 80 para partidos e 120 para candidatos independentes.

No primeiro grupo, uma aliança liberal liderada pelo ex-primeiro ministro rebelde Mahmoud Jibril parecia ter mais da metade das cadeiras na capital, Trípoli, e no reduto rebelde de Benghazi, de acordo com vários representantes de partidos. No oeste da Líbia, onde a tribo de Jibril é proeminente, seu partido também liderava a votação no início da contagem, segundo os representantes.

Na terceira maior cidade da Líbia, Misrata, uma facção de políticos locais também parecia estar à frente dos candidatos islâmicos.

Faisal Krekshi, secretário-geral da Aliança de Forças Nacionais, de Jibril, disse que os resultados parciais são baseados em relatos de vários representantes de partidos em centros de votação espalhados pelo país. Até mesmo representantes de partidos islâmicos, como o Partido da Construção, descreveram a aliança de Jibril como o maior vencedor na disputa pelas 80 cadeiras destinadas aos partidos.

O grosso do parlamento, porém, será formado após as disputas cabeça-a-cabeça entre milhares de candidatos, tornando impossível fazer qualquer previsão. As informações são da Associated Press.

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