EFE/EPA/MARTIN DIVISEK
EFE/EPA/MARTIN DIVISEK

Contágios na Europa estão mais altos que no início da pandemia, diz OMS

Na primeira onda, recorde foi de 43 mil contágios em 1º de abril; em 11 de setembro, número de contaminações superou 54 mil

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 09h30
Atualizado 17 de setembro de 2020 | 22h54

GENEBRA - O nível de transmissão da covid-19 na Europa está mais alto do que na primeira onda da pandemia, entre março e abril, afirmou nesta quinta-feira, 17, a Organização Mundial da Saúde (OMS), que se declarou preocupada com a redução do tempo de quarentena decidida ou planejada por alguns países. A situação é particularmente grave na França, que apresentou hoje o recorde de 10,5 mil novos casos em 24 horas, e na Espanha, que registrou 11,2 mil em um único dia.

Novos surtos da epidemia e a maior quantidade de testes, em comparação com a onda de março-abril, levaram o número diário de casos a algo entre 40 mil e 50 mil. Na primeira onda, o dia 1º de abril registrou o recorde de 43 mil contágios, de acordo com a OMS Europa.

Em todo o mundo, a pandemia já provocou mais de 943 mil mortes e mais de 30 milhões de contágios, de acordo com cifras da agência France Presse com base em dados oficiais. Os três países mais afetados em números absolutos são EUA, Índia e Brasil.

"Os números de setembro deveriam servir de alerta para todos nós na Europa, onde o número de casos é superior aos registrados em março e abril", declarou em Copenhague o diretor da OMS no continente, Hans Kluge. O novo recorde absoluto diário foi registrado em 11 de setembro, com 54 mil contágios em 24 horas.

Kluge ressaltou que os números de setembro devem chamar atenção porque "apresentam índices alarmantes de transmissão em toda a região". A mensagem de esperança, segundo ele, é de que há espaço para atuar, já que a mortalidade é inferior à de março.

"Para além dos números, o impacto na saúde mental, nas economias, nas vidas e na sociedade foi monumental", disse, ao pedir coerência regional ao lidar com a pandemia. Kluge pediu atenção com a chegada do outono - que pode aumentar os casos de gripe -, com a reabertura dos colégios e com o início do ano acadêmico. 

Redução do tempo de isolamento

A agência das Nações Unidas descartou a possibilidade de mudança do tempo de quarentena de 14 dias, recomendado para todos aqueles que já estiveram em contato com o vírus.

Na França, a duração do isolamento foi reduzida para sete dias em caso de contato com o vírus. No Reino Unido e Irlanda o prazo é de 10 dias. Outros países europeus, como Portugal e Croácia, também planejam encurtar as quarentenas.

Kluge destacou o impacto individual e social que pode ser provocado por uma redução de tempo, incluindo mínima, da quarentena. "Estimulo os países da região a seguir o procedimento científico regular com seus especialistas e a explorar opções seguras de redução do tempo de quarentena", insistiu.

A região Europa da OMS, que reúne 53 países, incluindo a Rússia, registra quase cinco milhões de casos oficiais e mais de 227 mil mortes provocadas pela covid-19, de acordo com a instituição.

Esforços redobrados

Olivier Véran, ministro da Saúde da França, incluiu hoje as cidades de Lyon e Nice na lista de “zonas vermelhas”. O país agora tem 28 departamentos em estado crítico, entre eles Paris, Marselha, Bordeaux e Guadalupe, ilha francesa no Caribe. “Peço que, especialmente nas regiões mencionadas, os esforços sejam redobrados e para reduzir o número de encontros entre as pessoas”, afirmou.

Segundo o protocolo do governo francês, uma área entra na lista se tiver mais de 50 novos casos por 100 mil habitantes em uma semana. Quando o limite é ultrapassado, as autoridades locais ganham poder para aumentar as ações de isolamento, como fechamento de praias, restrições a visitas em asilos e redução de aglomerações em locais públicos.

 Na quarta-feira, o ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer, anunciou que 1,2 mil estudantes testaram positivo na última semana e 81 escolas foram fechadas. Blanquer, no entanto, disse que os números ainda representam uma pequena fração das 60 mil escolas francesas.

Na Espanha, a maior preocupação é com Madri, a capital que responde por quase um terço dos 122 mil novos casos registrados nas últimas duas semanas. Hoje, o Ministério da Saúde alertou que a capacidade de alguns hospitais madrilenhos está perto do limite. A velocidade dos contágios também começou a afetar a capacidade de testagem. Na Espanha, 13% dos testes têm resultado positivo. Em Madri, o índice de positividade chega a 22%.

 Ao todo, 117 escolas e institutos foram fechados desde que as aulas presenciais foram retomadas na Espanha e um total de 212 colégios já adotaram algum tipo de medida restritiva. Nesta semana, a princesa Leonor – herdeira do trono espanhol – e sua irmã Sofia foram colocadas em quarentena por 14 dias após o registro de um caso na escola Santa María de los Rosales, em Madri.

Segunda onda

Na Áustria, que vem apresentando números tão altos quanto no primeiro semestre, o premiê, Sebastian Kurz, admitiu hoje que a intensidade dos novos contágios já se configuram uma segunda onda. Imediatamente, ele retomou velhas medidas restritivas. “A partir de agora, eventos em locais fechados não poderão ter mais de 10 pessoas. Estamos diante de um crescimento exponencial de novos casos na Áustria”, afirmou o premiê.

 “Os números de setembro deveriam servir de alerta para todos nós na Europa, onde o número de casos é superior aos registrados em março e abril”, disse o diretor da OMS no continente, Hans Kluge, que pediu atenção com a chegada do outono e com o início do ano escolar.

O governo grego também adotou restrições, fechando bares de música ao vivo por 14 dias e tornando obrigatório o uso de máscaras em locais fechados – públicos e privados. Feiras e mercados abertos só poderão operar com 50% da capacidade. Além disso, diante do aumento dos contágios, Atenas e sua região metropolitana foram colocadas em alerta. / AFP, REUTERS e EFE

 

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