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Foto: (Alexander NEMENOV / AFP)
Foto: (Alexander NEMENOV / AFP)

Contaminação por covid-19 dispara em Moscou

O aumento é atribuído a uma campanha de vacinação que foi demasiada lenta devido à desconfiança dos russos em relação às vacinas desenvolvidas no país

Antoine Lambroschini/AFP, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2021 | 12h00

A capital russa, que enfrenta aumento recorde de casos covid-19, anunciou nesta sexta-feira restrições a eventos públicos, incluindo o fechamento de área para torcedores da Eurocopa. As medidas, porém, são limitadas para tentar preservar a economia.

Moscou registrou 9.056 novos casos de covid-19 em 24 horas, um recorde desde o início da epidemia e o triplo do nível registrado há menos de duas semanas. 

Com 17.262 infecções diárias em todo o país, a Rússia está no seu ponto mais alto desde 1º de fevereiro, de acordo com as estatísticas governamentais divulgadas hoje. 

O país registrou 453 novas mortes no período, o número mais elevado desde 18 de março. Dessas, 78 foram em Moscou, de acordo com os números do governo russo.

O aumento é atribuído a uma campanha de vacinação que foi demasiada lenta devido à desconfiança dos russos em relação às vacinas desenvolvidas internamente, bem como à ausência de restrições durante meses, ao aparecimento de variantes mais virulentas e ao não cumprimento das regras sobre o distanciamento e a utilização de máscaras.

"Eu não o queria fazer" 

Confrontadas com esta situação, as autoridades de Moscou começaram novamente a introduzir restrições.

“Vamos suspender por algum tempo os eventos de entretenimento de massas, e também temos de fechar por algum tempo os salões de dança e a área reservada aos torcedores de futebol, localizada no complexo olímpico de Luzhniki”, anunciou o prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, em seu website. 

A Rússia é sede de sete jogos da Eurocopa, todos realizados na cidade de São Petersburgo, onde a epidemia também reapareceu. 

“Não o queria fazer, mas tem de ser feito. A partir de hoje, os eventos de entretenimento são limitados a um máximo de 1.000 pessoas”, disse Sobyanin. 

O gabinete do prefeito de Moscou prolongou até 29 de junho o fechamento, durante os finais de semana, dos pontos de venda de alimentos em centros comerciais, jardins zoológicos e todas as instalações de parques públicos, tais como parques infantis e instalações esportivas.

Restaurantes e bares terão de fechar das 23h às 6h, como fizeram há uma semana. 

O prefeito, no entanto, decidiu pôr fim ao período de férias decretado de 15 a 20 de junho para reduzir a circulação de pessoas e tentar reverter a situação. 

Na quinta-feira, Sobyanin advertiu que medidas muito mais duras poderiam vir em breve. "Estamos muito perto de precisar tomar decisões muito rigorosas", disse ele.

Minimizar o perigo 

Na quarta-feira, Sobyanin já havia decretado a vacinação obrigatória de todos os empregados do setor de serviços. Cerca de 60% deles, ou cerca de dois milhões de pessoas, terão de ser vacinadas até 15 de agosto.

Em São Petersburgo, as medidas restritivas permanecem limitadas e a utilização de máscaras é bastante aleatória, enquanto a cidade acolhe dezenas de milhares de torcedores para o Campeonato Europeu. 

"Parece-me que as autoridades estão minimizando o perigo nestes últimos dias. Não estão deliberadamente informando para não estragar o Campeonato Europeu. Receio que a situação piore depois", disse Elena Yakovleva, uma residente de 50 anos de idade, à AFP.

Durante quase um ano, o Estado e os meios de comunicação públicos destacaram a boa gestão da crise sanitária pelas autoridades e os bons resultados da Sputnik V, uma vacina desenvolvida na Rússia que está disponível há mais de seis meses.

Mas os russos não têm revelado o número de vacinados, apesar dos apelos das autoridades, num contexto de desconfiança entre uma população marcada por décadas de propaganda soviética e depois russa, bem como de cortes orçamentários no setor da saúde.

Desde dezembro, apenas 19,4 milhões de russos, dos 146 milhões totais, receberam pelo menos uma dose da vacina, de acordo com o website do Gogov, que agrega dados das regiões e dos meios de comunicação na ausência de estatísticas nacionais oficiais.

Em Moscou, 1,8 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose, de uma população oficial entre 12 milhões e 13 milhões.

Na quinta-feira, a Rússia tornou-se o país com mais mortes na Europa, com 128.445 óbitos, de acordo com o governo. 

A agência russa de estatística, Rosstat, que usa uma definição mais ampla de mortes relacionadas com a covid-19, contou pelo menos 270.000 desde o início da pandemia.

 

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