Conter Chávez é do interesse brasileiro

Um diplomata brasileiro disse que, certa vez, presenciou um telefonema de Hugo Chávez para Lula. Como o presidente brasileiro demorou a atender, o venezuelano brincou: "Você sabe que se não falo com você logo, eu arrumo confusão." Para países como os EUA e a Colômbia, a esperança é que Lula use a proximidade com Chávez para conter o venezuelano. Com um discurso incendiário, Chávez já chegou a enviar tropas para a fronteira, defendeu o reconhecimento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como grupo beligerante e, durante a crise hondurenha, em 2009, queria restituir o presidente deposto Manuel Zelaya à força.

Bastidores: Ruth Costas, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

É nessas ocasiões que se espera que um telefonema de Lula o ajude a agir de forma um pouco mais moderada, para o bem e a estabilidade da região, que também interessam ao Brasil. "Na atual crise, a expectativa é a de que Lula seja um intermediário de bons ofícios (que não opina nem interfere na negociação), não um mediador", diz o ex-chanceler colombiano Augusto Ramírez Ocampo, lembrando a discrição brasileira na crise com o Equador.

A estreita amizade do Brasil com a Venezuela é até justificada por autoridades colombianas. "Faz parte do jogo", dizem. Mas não há como negar que causa alguma desconfiança em relação ao governo brasileiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.