Continua busca por sobreviventes após atentados na Argélia

Ataque mostrara que Al-Qaeda continua capaz de realizar ataques violentos apesar de reveses recentes

HAMID OULD AHMED E ABDELAZIZ BOUMZAR, REUTERS

12 de dezembro de 2007 | 11h54

Equipes de resgate vasculhavam destroços nesta quarta-feira, 12, em busca de sobreviventes dos atentados simultâneos ocorridos na capital da Argélia e que, além de matarem dezenas de pessoas, mostraram que a Al-Qaeda continua capaz de realizar ataques violentos apesar dos reveses recentes que sofreu.  Veja TambémONU pede revisão da segurança após atentado na ArgéliaAl-Qaeda no Magreb assume autoria de atentados na ArgéliaONU pode ter 5 mortos; 14 estão desaparecidos  O grupo militante afirmou que o ataque contra o escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) no bairro rico de Hydra, em Argel, e contra a Corte Constitucional na área de Ben Aknoun, próxima dali, havia atingido "os escravos dos EUA e da França". "Meu irmão continua preso nos destroços. Ele é motorista", afirmou um homem que disse se chamar Djamel. "Quem cuidará dos quatro filhos dele?" "Não consegui dormir na última noite. Minha irmã está sob os destroços. Espero que eles consigam tirá-la dali com vida", afirmou uma outra pessoa presente no local de um dos ataques, Farid. "Estou aqui na esperança de receber boas notícias sobre meu primo, que está soterrado. Não entendo por que não posso ter acesso ao local. Estou disposto a ajudar", disse Manel Djidi. Durante a noite, sete pessoas foram retiradas com vida dos destroços. O ministro argelino das Relações Exteriores, Mourad Medelci, afirmou ao canal de TV Europe 1 que a cifra oficial de mortos era de 30. Mas um membro do Ministério da Saúde disse na terça-feira que o número de pessoas mortas era de 67. Entre os mortos, haveria asiáticos, um dinamarquês e um senegalês. Dez das vítimas fatais trabalhavam para a ONU. O segundo ataque da Al Qaeda na capital argelina em oito meses fez com que muitos moradores dali ficassem nervosos, lembrando-se do período de violência ocorrido durante os anos de 1990. As ruas estreitas da cidade, normalmente cheias de carros, estavam mais vazias na quarta-feira. "Tenho medo que seja como antes", afirmou um homem que caminhava pela rua Didouche Mourad, referindo-se aos conflitos da década de 1990. Durante o verão, as forças de segurança do país mataram ou capturaram os guerrilheiros responsáveis pelas explosões de abril passado, mas o atentado de terça-feira realizado pela Al Qaeda mostra que a rede militante continua a ser uma ameaça. O braço do grupo no norte da África disse em um site que dois de seus homens-bomba realizaram os atentados e que a ONU e o governo argelino eram os alvos das ações. Muitos argelinos continuam traumatizados pela onda de violência iniciada em 1992, quando, com o apoio das Forças Armadas, o governo anulou as eleições que seriam vencidas por um partido islâmico radical. Até 200 mil pessoas foram mortas no conflito subsequente, mas a violência diminuiu durante vários anos até ressurgir novamente no final de 2006.

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