Contra armas químicas, Bush pode usar arma nuclear

O pior pesadelo das forças da coalizão envolvidas na Operação Liberdade Iraquiana, um ataque com ogivas químicas sobre grandes concentrações das tropas anglo-americanas, pode levar o presidente George W. Bush a ordenar uma retaliação nuclear, empregando a mais nova arma do arsenal atômico americano, a B61-11 de alta precisão.Segundo informou hoje à noite a secretaria de informações do Pentágono, cerca de 15 unidades da B61-11 foram transferidas para a base de Incirlik, na Turquia, sob guarda do 39º Esquadrão de Apoio e Manejo de Munições Especiais.Em tempo de paz, 135 bombas desse modelo são mantidas em instalações militares avançadas da aviação dos EUA na Bélgica, na Alemanha, na Grécia, na Itália, na Holanda e na Inglaterra.O equipamento está relacionado na lista de sistemas de armas que consta da vasta documentação - cerca de 8 mil páginas - encaminhada pela Casa Branca ao Congresso em outubro de 2002, referente à mobilização para a 2ª Guerra do Golfo.Nessa época a administração Bush subsidiava o Capitólio com informações para obter autorização do Legislativo para uso da força contra o Iraque, à revelia de um mandato da Organização das Nações Unidas (ONU).A B61-11 é a mais moderna e a primeira bomba nuclear dotada de recursos de inteligência eletrônica por meio de um kit JDAM, de guiagem por sinais de satélite e GPS. Faz parte do armamento padrão dos bombardeiros invisíveis B-2 Spirit, B-1 Lancer e B-52H.Aviões menores como os caças F-11A Night Hawk, de tecnologia furtiva, F-15DEagle e F-16CD da última geração, também podem lançá-la. Sua principal característica é a baixa potência e a possibilidade de ser empregada como destruidora de fortificações subterrâneas. Os efeitos da explosão - de 0,3 kilotons a 3,4 kilotons - atingem um raio máximo de 1,6 mil metros. O combustível da bomba é uma combinação de trítio e deutério, produzida nas centrais de Kansas City especificamente para carregar essa arma.As B61-11 eventualmente envolvidas na 2ª Guerra do Golfo foram desenvolvidas na planta industrial de Whiteman, no estado do Missouri, a partir de 1993. A principal característica da bomba é a reduzida área de destruição e o decaimento rápido da radiação.Os primeiros lotes eram de versões convertidas do modelo B-61 de menor resolução em relação ao objetivo, anterior à série 11. O contrato inicial de 50 bombas, com o conjunto JDAM de navegação acoplado organicamente, foi concluído em 1998.O uso das bombas B61-11 e da configuração B-83, mais pesada, orientada por radar e direcionador laser, é tático.No teatro de operações do Iraque elas serviriam para atacar instalações subterrâneas de grande profundidade, blindadas e protegidas.Também seriam um instrumento de dissuasão para impedir o emprego de armas - químicas, radioativas ou biológicas - de destruição maciça pelas forças de Saddam.O especialista americano em guerra atômica, Johny Dover, do Caleb Center de Estudos Estratégicos, considera a disponibilidade dos sistemas táticos "uma tentação muito grande para o apetite profissional dos guerreiros da nação".O cientista social lembra que em maio de 2002 o presidente George W. Bush baixou um ato formalizando a doutrina dos ataques preventivos para anular qualquer ameaça representada por agentes militares com poder de destruição em massa. "Esse ato permitirá a um general em campanha decidir sozinho pelo uso de uma bomba nuclear de menor porte, se vier a ter percepção de uma eventual ameaça."Essa decisão poderia receber o apoio da opinião pública dos Estados Unidos em larga proporção. De acordo com Dover, "uma pesquisa de abrangência nacional, realizada há pouco mais de 3 meses, indicou que 60% da população americana apoiaria o uso de armas nucleares em alto risco". O exemplo utilizado no levantamento foi a reconhecida capacidade do Iraque deflagrar, em 45 minutos, uma ação com mísseis equipados com gases letais do tipo VX. Veja o especial :

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