AP Photo/Adrian Kraus
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Contra-ataque - 'Pink Pistols' se armam contra efeito Trump

Gays se reúnem em grupos que defendem o porte de armas contra ataques homofóbicos

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington , O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2017 | 05h00

“Gays armados não são espancados” é um dos lemas do Pink Pistols, grupo LGBT que prega o porte de armas como defesa. Seu apelo ganhou força com o ataque a tiros que deixou 49 pessoas mortas em uma casa noturna gay em Orlando, no ano passado, e a emergência de grupos neonazistas e defensores da supremacia branca embalados pela vitória de Donald Trump, em novembro.

Cerca de um mês depois da posse do presidente, em janeiro, Jake Allen ajudou a fundar a organização Trigger Warning Queer & Trans Gun Club, que realiza eventos mensais de treinamento e prática de tiros para cerca de 20 seguidores. Depois da violência da marcha neonazistas em Charlottesville, em agosto, Allen disse ter recebido telefonemas de pessoas de dez cidades interessadas em criar subsidiárias da organização. Uma delas já saiu do papel, em Atlanta.

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“Estamos em uma situação em que a extrema direita está cada vez mais armada e violenta. Não podemos ficar parados e não fazer nada”, disse Allen, de 27 anos, que votou na candidata do Partido Verde, Jill Stein, na disputa presidencial dos EUA. “Somos um clube de tiro de esquerda.”

Allen afirmou que passou a defender o porte de armas pela comunidade LGBT em razão das mudanças “tectônicas” na política americana provadas pela vitória de Trump. Morador de Rochester, Estado de Nova York, ele relatou ter presenciado o aumento de casos de intolerância na cidade logo depois da posse do republicano. 

“Em Charlottesville, vimos homens brancos fortemente armados protegendo os neonazistas. Historicamente, a polícia falhou em proteger LGBTs, marginalizados e a esquerda em geral”, observou. “Homossexuais são normalmente vistos como fracos, frágeis e indefesos. Nosso grupo quer mudar essa imagem.”

A autodefesa foi a motivação da lésbica Gwendolyn Patton, que ingressou no Pink Pistols em 2001. Hoje, ela é a porta-voz da entidade, que propaga a ideia de que a comunidade LGBT tem de se armar. “Nosso objetivo é fazer com que os gays nos EUA não sejam um alvo fácil para alguém que queira cometer um crime de ódio. Queremos mostram que nem todos os gays apanharão passivamente.”

Patton disse que o interesse pela organização cresceu após o massacre na casa noturna Pulse, no qual os gays representaram o maior número de vítimas. Em seu site, a entidade lista subsidiárias em 51 cidades, entre as mais recentes está a de Charlottesville, onde ocorreram manifestações neonazistas e de supremacistas brancos. 

A página do Pink Pistols no Facebook tem 8.700 seguidores, mas Patton acredita que o número seja maior. “No passado, eles estavam no armário, agora eles estão no cofre”, disse ela, em referência a gays que não declaram ser portadores de armas.

Grupos como o Pink Pistols e o Trigger Warning são minoritários dentro do movimento LGBT. As principais organizações defendem a imposição de controles, entre os quais restrições no acesso a fuzis de estilo militar.

A vitória de Trump também levou ao aumento na busca de armas pelos negros. Fundada em 2015, a Associação Nacional Afro-Americana de Armas viu seu número de subsidiárias passar de 4 para 48, a maior parte das quais abertas neste ano. 

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