Contra EI, Turquia abre porta a curdos

Contra EI, Turquia abre porta a curdos

Chanceler turco, Mevlut Cavusoglu, declarou ontem que permitirá passagem de peshmergas iraquianos no país até Kobani, na Síria

ANCARA, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h00

O ministro das Relações Exteriores da Turquia disse ontem que vai permitir a forças curdas iraquianas, conhecidas como peshmergas, que cruzem a fronteira do país com a Síria para ajudar a combater o Estado Islâmico (EI), que há pelo menos um mês mantém um cerco a cidade fronteiriça de Kobani.

A decisão representa uma importante mudança do governo turco, que irritou líderes curdos e frustrou Washington durante semanas ao recusar o trânsito de combatentes e armas por suas fronteiras para apoiar os combatentes curdos que defendem a cidade síria. Em Ancara, o ministro turco, Mevlut Cavusoglu, disse que seu governo estava "ajudando os peshmergas a cruzar (o território para chegar) até Kobani".

"Ajudamos as forças peshmergas a atravessar a fronteira para chegar até Kobani", anunciou Cavusoglu. "Mas nossas discussões sobre este assunto prosseguem." O ministro confirmou o comunicado divulgado antes pelas autoridades do Curdistão iraquiano anunciando que "está colaborando com a Turquia e os Estados Unidos para ajudar Kobani".

O anúncio e a decisão americana de usar aviões militares para lançar munição e pequenas armas sobre Kobani para reabastecer os peshmergas indica uma pressão internacional cada vez maior para afastar os militantes do EI. Quando parecia que os jihadistas estavam prestes a tomar a cidade síria perto da fronteira turca, os jihadistas acabaram perdendo espaço e a oportunidade de manter a ofensiva.

A batalha tornou-se um teste rigoroso para a política do governo Obama de combinar poder aéreo em coordenação com forças locais em terra para combater o grupo militante no Iraque e na Síria. Ao mesmo tempo, o esforço americano tem sido criticado - incluindo pelos turcos - como muito seletivo e ineficiente para acabar com o sofrimento de outras cidades sob bombardeio do governo sírio ou ameaçadas por militantes em uma guerra que matou mais de 200 mil sírios.

A recusa dos turcos em permitir ajuda militar aos defensores de Kobani também aumentou as tensões na Turquia, onde os curdos acusaram o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan de abandonar a cidade aos militantes do EI.

A Turquia reluta em dar poder aos combatentes curdos em Kobani, que são afiliados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). O grupo trava uma luta de três décadas contra o governo turco, embora estejam em curso nos últimos meses negociações de paz entre as duas partes. A Turquia, com os EUA e a União Europeia, considera o grupo uma organização terrorista.

Até domingo, Erdogan dizia que não concordaria com o fornecimento de armas a combatentes curdos em Kobani, a quem ele chamou de "igual" ao PKK, segundo noticiou a agência de notícias Anadolu. "Seria errado para os EUA, de quem somos amigos e aliados na Otan, falar abertamente e esperar que aprovemos o apoio a uma organização terrorista como essa."

Em Jacarta, na Indonésia, o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que o governo Obama aprovou o lançamento de porque teria sido "irresponsável" e "moralmente muito difícil" não apoiar o apoio a combatentes curdos em um "momento de crise". Ele reconheceu amplas pressões sobre a Turquia, mas defendeu foco intenso sobre Kobani. / NYT, AP, EFE e REUTERS

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