Contra novas ameaças, Japão altera políticas da Guerra Fria

País adota postura mais flexícel e reorienta capacidades bélicas contra crescimento miltiar chinês

Reuters

17 de dezembro de 2010 | 09h28

TÓQUIO - O Japão apresentou nesta sexta-feira, 17, uma abrangente reforma da sua política de defesa nacional, adotando uma postura mais flexível e reorientando suas capacidades bélicas para confrontar o crescimento militar da China e as ambições nucleares da Coreia do Norte.

As Diretrizes do Programa de Defesa Nacional, aprovadas pelo gabinete do premiê Naoto Kan, não alteram a proibição da exportação de armas - algo que enfrenta a oposição de um pequeno partido pacifista, cortejado por Kan para aprovar o projeto no dividido Parlamento -, mas deixa em aberto a possibilidade do desenvolvimento internacional conjunto.

Por esse plano, o Japão deve destinar US$ 280 bilhões para a defesa no período entre 2011 e 2016, uma redução de 3% em relação ao limite para o quinquênio encerrado em março de 2010. A queda atende à necessidade de controlar o déficit público, que atinge o dobro do tamanho do PIB.

Ao contrário do que ocorria durante a Guerra Fria - quando as defesas japonesas se concentravam no norte, contrapondo-se a uma eventual invasão soviética -, o Japão pretende agora reforçar sua estrutura militar no sudoeste, região mais próxima à China.

Essa é a primeira grande revisão estratégica do Japão nos últimos seis anos. "Acho que conseguimos apresentar uma política de defesa que seja apropriada ao difícil ambiente de segurança e à nova era", disse o ministro japonês de Defesa, Toshimi Kitazawa, a jornalistas.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial o Japão tem uma Constituição pacifista, mas sucessivos governos vêm tentando flexibilizar essa postura. Qualquer excesso, porém, despertaria reações nos países vizinhos, especialmente a China, onde há arraigados ressentimentos contra as agressões militares japonesas do século passado.

O documento do governo admite grande preocupação com "a falta de transparência nos militares e nas questões de segurança" da China, e também cita o programa nuclear norte-coreano como "um grave fator de desestabilização" para a região.

 

Japão e China tiveram uma crise diplomática em setembro, por causa da colisão de um barco pesqueiro chinês contra embarcações de patrulha do Japão perto de uma ilha disputada pelos dois países.

 

Antecipando-se à divulgação do documento japonês, a China reiterou a postura defensiva das suas Forças Armadas e manifestou a esperança de que Tóquio agisse para estimular a confiança e a estabilidade na região.

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