Contra o terrorismo, Putin propõe menos eleições

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou um pacote de medidas para fortalecer a segurança do país e combater o terrorismo. O pacote foi interpretado como uma jogada para fortalecer o poder do Kremlin e enfraquecer as instituições e os governos regionais. Políticos oposicionistas acusaram Putin de explorar a tragédia na escola de Beslan para ampliar seu controle sobre a sociedade. Em uma reunião extraordinária com os membros do governo e os dirigentes regionais, Putin propôs eliminar a eleição por voto direto dos líderes das 89 instâncias de poder em que se divide a Federação Russa (repúblicas, regiões, províncias e Moscou e São Petersburgo - cidades com status especial). Eles passariam a ser designados diretamente pelo presidente. Também defendeu a supressão da votação de deputados por região, sistema que hoje preenche metade das 450 vagas na Câmara Baixa do Parlamento (Duma). Todos passariam a ser eleitos por listas de partidos. Na atual Duma, todos os deputados independentes ou ligados a partidos de oposição foram eleitos na votação por região. As medidas incluem ainda a volta da pena de morte e a adoção de um código de cores de alerta antiterror.A reforma proposta suscitou críticas de setores que a identificam com a restauração do autoritarismo soviético e o enfraquecimento das elites regionais. "O que ele propõe é a designação dos governadores pelo presidente do país. Isto conduzirá ao fim do federalismo e ao aumento da corrupção, pois todos nós sabemos como surgem os candidatos a um e outro posto", disse à agência russa Interfax o ex-vice-primeiro-ministro Boris Nemtsov, um político liberal.

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