Contra piratas, Otan escolta navio na costa da Somália

Navios de guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) escoltaram hoje pela primeira vez uma carga de um navio pelas águas da Somália infestadas de piratas. Um dos sete navios que chegaram à região no fim de semana protegeu uma embarcação que transportava soldados da União Africana em missão de paz rumo à Somália. O objetivo da frota é conduzir patrulhas contra piratas e proteger carregamentos do Programa Mundial de Alimentação. "A operação está indo bem", afirmou em Bruxelas o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer. "Um navio da Otan acabou de escoltar um navio trazendo carregamentos para o batalhão de Burundi (...) na Somália." O país africano não possui Marinha ou Guarda Costeira e não pode proteger seu litoral, que inclui o Golfo de Áden, um dos mais movimentados e perigosos do mundo. Enquanto isso, seqüestradores em poder de um cargueiro ucraniano carregado com armas afirmaram que a empresa com que negociam se recusou a pagar pelas armas. O cargueiro MV Faina, carregado com armas pesadas e 33 tanques de batalha, foi seqüestrado em 25 de setembro. O caso chamou a atenção internacional sobre a ameaça dos piratas no Chifre da África. Navios da 5ª Frota da Marinha norte-americana cercaram a região por um mês, para garantir que o cargueiro não caísse nas mãos de grupos insurgentes como a Al-Qaeda.Os piratas em poder do Faina afirmaram hoje que o desejo dos negociadores é tratar apenas a libertação do navio e dos tripulantes, e não o carregamento. O porta-voz dos piratas, Sugule Ali, afirmou que eles receberam um fax na sexta-feira de Viktor Murenko, diretor da operadora do navio, a Tomex Team, afirmando que o Quênia se recusou a pagar qualquer resgate pelo carregamento. Segundo a carta de Murenko, os piratas têm "liberdade para destruir ou jogar as armas no mar se quiserem", disse Ali por telefone via satélite, do Faina. Na Rússia, o porta-voz do dono do navio, Vadim Alperin, afirmou que isso é fisicamente impossível, já que não há como descarregar ou destruir o carregamento com as forças dos EUA ao redor. "O dono do navio não se interessa pelo carregamento", afirmou o porta-voz. Mas ele disse ser impossível separar o carregamento do navio.

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