Contra protestos, Síria aumenta salários e promete abertura política

De acordo com fontes médicas ao menos 37 pessoas já morreram em Daraa, vítimas da repressão

estadão.com.br,

24 de março de 2011 | 14h13

DAMASCO - Em meio a uma onda de manifestações por democracia, o governo da Síria prometeu nesta quinta-feira, 24, retirar o estado de emergência em vigor desde 1963 e ampliar as liberdades políticas no país . O salário dos funcionários públicos foi aumentado em 30%. Os protestos, concentrados na cidade de Daraa, no sul do país, já deixaram ao menos 37 mortos, de acordo com fontes médicas. 

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Segundo Buthaina Shaaban, assessor do presidente Bashar al-Assad, um esboço de lei está em discussão no governo. Entre outras medidas, partidos que não o Baath - o único do país - seriam permitidos.

 

Outra promessa, ainda de acordo com o assessor, é a criação de um comitê para investigar a corrupção. Shaaban disse também que Assad não ordenou que as forças de segurança atirassem contra os manifestantes em Daraa.

 

De acordo com ativistas, no entanto, os mortos passam de 100. "Há certamente mais de cem mortos, e a cidade precisará de uma semana para enterrar seus mártires", afirmou por telefone o ativista Ayman al-Asswad, que está em Deraa. As forças de segurança dispararam contra manifestantes que estavam perto de uma mesquita. Já o governo atribuiu a violência a "gangues".

 

Desde 1963 está em vigor na Síria uma lei de emergência proibindo manifestações. Há sete dias, porém, acontecem vários pequenos protestos pedindo o fim do governo do presidente, Bashar Al-Assad, que sucedeu o pai em 2000.

 

Deraa é uma cidade localizada cem quilômetros ao sul de Damasco e perto da Jordânia, em uma área onde vivem grandes famílias tribais. Ali ocorrem os principais protestos, os últimos de uma série em países árabes contra regimes autocráticos há décadas no poder.

 

Com AP

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