Contra violência, Maduro ordena controle sobre TV

Líder venezuelano, que limitou lucro no país a 30%, determina revisão no conteúdo de canais para conter criminalidade no país

AFP/O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2014 | 02h04

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na madrugada de ontem uma revisão em toda a programação de TV exibida no país, acusando as emissoras de transmitir telenovelas que fomentam a violência. A intenção do chavista com o controle de cenas violentas é combater a criminalidade no território venezuelano, onde é registrado um dos maiores índices de homicídios do mundo.

"Dei instruções à ministra de Comunicação e ao Conselho Nacional de Telecomunicações (Conatel) para que se revise toda a programação das televisões nesse país, a cabo e sem cabo. Vamos construir uma cultura de paz para as nossas crianças", disse Maduro na Assembleia Nacional, durante a apresentação do relatório anual de seu governo.

O presidente venezuelano acusou as emissoras de TV de transmitir programas que estimulam "valores de morte, culto à droga, culto às armas, culto à violência". Maduro afirmou que, em uma telenovela "muito famosa atualmente", uma personagem matou "mais de nove (pessoas)". "Matou até a própria mãe e é a heroína (da trama)", disse indignado. Segundo o chavista, o programa tem crianças, jovens e pessoas com problemas entre seus telespectadores.

"Que capacidade de influenciar e de converter assassinos em heróis. Sempre se pretendeu (na TV) utilizar acontecimentos dolorosos (...) para ficar ricos - transmitir novelas e tratar de utilizar a dor para o lucro", afirmou o presidente.

Maduro, que afirma considerar filmes americanos parte de uma "fábrica de antivalores" - mais de uma vez ele fez críticas ao Homem-Aranha -, disse que eles fomentam a violência entre os jovens venezuelanos. O presidente ataca constantemente a programação das emissoras privadas de sinal aberto e a cabo na Venezuela, mas é a primeira vez que determina um controle de seu conteúdo.

Além de citar o combate à violência em sua campanha para a presidência e também depois de eleito, Maduro comanda uma cruzada pela pacificação do país desde o assassinato da ex-miss Venezuela Mónica Spear e seu companheiro, Thomas Berry, mortos a tiros diante da filha do casal, de 5 anos, no dia 6, durante um assalto em uma estrada turística no norte do país. A menina ficou ferida.

O índice de homicídios na Venezuela para cada 100 mil habitantes está em 39, segundo o governo. De acordo com organizações não governamentais que atuam no país, a taxa é de 79 assassinatos a cada 100 mil habitantes. A maioria, tanto das vítimas como dos criminosos, tem entre 14 e 25 anos.

Nova estratégia. Para baixar a criminalidade no país, de acordo com declarações do criminologista e advogado Luis Izquiel ao jornal venezuelano El Universal, Maduro precisaria "reestruturar a política" de combate ao crime. Segundo o especialista, pôr a culpa das causas da violência na TV é "pouco promissor" e poderia ter como real objetivo "limitar a liberdade de expressão" na Venezuela.

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