Contrabando de material radioativo cresce em todo o mundo

O confisco de material radioativo, capaz de se transformar numa "bomba suja" nas mãos de terroristas, duplicou nos últimos quatro anos, afirma nesta sexta-feira o jornal britânico The Times.Desde 2002 foram detidos mais de 300 contrabandistas de material radioativo, segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).Em 2005 foram registrados 103 casos de tráfico ilícito de material nuclear. O número havia sido de menos de 30 em 1996, mas cresceu para 58 em 2002, 90 em 2003 e 130 em 2004, segundo a AIEA.A maior parte das detenções aconteceu na Europa, afirma o The Times, acrescentando que a organização terrorista islâmica Al-Qaeda está intensificando seus esforços para produzir uma bomba radioativa.ContrabandoEm 2005, os serviços de segurança ocidentais frustraram 16 tentativas de contrabando de plutônio e urânio. Em duas ocasiões desapareceram pequenas quantidades de urânio muito enriquecido, acrescenta a periódico.Os analistas que estudaram o assunto alertaram que oscontrabandistas estão recorrendo a equipamentos de raios X e a laboratórios médicos para obter material radioativo ilicitamente. Os contrabandistas, em sua maioria da Europa oriental, só estão interessados em ganhar dinheiro e não se importam que o material caia nas mãos da Al-Qaeda, destaca o jornal.Segundo o The Times, a maioria das operações contra o contrabando foi mantida em segredo para proteger as atividades dos serviços de inteligência ocidentais.Os rigorosos controles aplicados aos processadores nucleares, graças sobretudo à cooperação da Rússia, limitaram o acesso dos contrabandistas a material nuclear suscetível de uso militar, acrescenta. Mas há preocupação com o acesso dos contrabandistas ao material radioativo de hospitais e laboratórios."Bomba suja"Uma "bomba suja" combina um explosivo convencional, como a dinamite, com material nuclear como plutônio e o urânio enriquecido.Na maioria dos casos, o explosivo convencional mataria mais pessoas próximas ao local da explosão. Mas a dispersão do material radioativo contaminaria vastos territórios e geraria pânico na população em geral.Segundo o jornal, a Al-Qaeda não oculta seu desejo de criar uma bomba desse tipo. No mês passado, seu líder no Iraque, Abu Ayub al-Masri, recomendou aos cientistas que experimentem armas radioativas para serem usadas contra seus inimigos.

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