Contrainteligência dos EUA recrutou ex-nazistas

Documentos dos Arquivos Nacionais desclassificados indicam que colaboração foi maior que o [br]anteriormente divulgado

, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2010 | 00h00

Após a 2.ª Guerra, a contrainteligência americana recrutou ex-oficiais da Gestapo, veteranos das SS e colaboradores nazistas numa escala maior do que fora anteriormente revelado e ajudou muitos deles a evitar a perseguição, segundo o relatório A sombra de Hitler: criminosos de guerra nazistas, o serviço secreto americano e a Guerra Fria, publicado na sexta-feira pelos Arquivos Nacionais.

Com a União Soviética se fortalecendo na Europa Oriental, "acertar as contas com alemães ou colaboradores dos alemães em alguns casos chegava a parecer contraproducente". "Quando surgiu a história da fuga de Klaus Barbie para a Bolívia com ajuda americana, achamos que era uma exceção", disse Norman J. W. Goda, professor da Universidade da Flórida e coautor do relatório com Richard Breitman da American University. "Mas era algo sistemático."

O documento relata, com detalhes arrepiantes, a relação estreita de trabalho entre líderes nazistas e o grande mufti de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini. Segundo o relatório, o líder muçulmano recebia 50 mil marcos por mês (um marechal de campo alemão recebia 25 mil marcos por ano) para recrutar muçulmanos paras as SS com a promessa de que seria o líder da Palestina após as tropas alemães expulsarem os britânicos e exterminarem 350 mil judeus na região.

O relatório nasceu de um grupo criado pelo Congresso para identificar e divulgar relatórios federais sobre crimes de guerra nazistas e os esforços dos Aliados para cobrar criminosos de guerra. Ele tomou como base 1.100 arquivos da CIA e 1,2 milhão de arquivos de contrainteligência do Exército. / NYT, TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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