Contrariado, Lula aprova sanções da ONU ao Irã

Contrariado, Lula aprova sanções da ONU ao IrãAmorim destaca que o País é contra a resolução, mas decidiu apoiá-la por tradição e pelo fato de ela não atingir diretamente as empresas brasileiras

Leonencio Nossa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que aprova a resolução do Conselho de Segurança da ONU que impõe sanções ao Irã por causa de seu programa nuclear. Em entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil, o chanceler Celso Amorim ressaltou que o governo brasileiro foi contra a resolução da ONU, mas por tradição decidiu apoiá-la.

Amorim disse que a resolução não atinge diretamente o Brasil nem as empresas brasileiras e setores como o agronegócio, que negociam com o Irã. Segundo ele, as sanções também não atingem a área de alimentos nem empresas como a Petrobrás.

Com relação às sanções impostas unilateralmente pelos EUA e pela União Europeia, Amorim declarou que o governo brasileiro se mantém contra. Segundo ele, cabe a cada empresa que mantém negócios com o Irã decidir se deve seguir ou não essas sanções.

Amorim voltou a criticar a posição dos EUA e da UE, que derrotaram a proposta brasileira de maior diálogo com o Irã no âmbito da ONU. "O isolamento só atinge a população pobre. Por isso, votamos contra a resolução."

Em Teerã, o embaixador do Brasil, Antonio Salgado, confirma que grande parte da atual exportação não deve ser afetada pelas sanções da ONU. Mas o problema são as "novas oportunidades de negócios" que o Brasil busca com o Irã em setores como o de máquinas, equipamentos e produtos industriais. Dados oficiais brasileiros mostram que o comércio com o Irã caiu entre 2007 e 2009, passando de US$ 2 bilhões para US$ 1,2 bilhão.

Na entrevista, Amorim evitou discutir sobre a decisão de Teerã de manter a sentença à morte da iraniana Sakineh Ashtiani, inicialmente condenada a apedrejamento por adultério. O chanceler disse que deixou claro ao governo iraniano que a sentença de morte fere a sensibilidade do povo brasileiro. Por isso, Lula fez a proposta de receber a iraniana no País, acrescentou. / COLABOROU JAMIL CHADE

PARA ENTENDER

O Brasil, como signatário da Carta da ONU, é obrigado a adotar as resoluções vinculantes tomadas pelo Conselho de Segurança, como as sanções contra o Irã, com base no Capítulo 7.º. O descumprimento de uma resolução pode resultar em responsabilidade internacional do País, uma vez que a ordem veio de uma autoridade dotada de capacidade jurídica no direito internacional. Embora o texto da Carta da ONU não especifique punições, o Brasil estaria sujeito a uma série de medidas, que podem ser reparações simples ou sanções mais graves.

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