AP Photo/Alex Brandon
AP Photo/Alex Brandon

EUA contratam mais de US$ 1 bi em mísseis três meses após saída de tratado nuclear

O presidente Donald Trump anunciou em outubro do ano passado a saída dos EUA do tratado de armas nucleares de alcance médio (INF), assinado em dezembro de 1987 

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2019 | 07h23

GENEBRA - O governo dos Estados Unidos assinou novos contratos de mísseis que somam mais de US$ 1 bilhão nos três meses posteriores ao anúncio de sua retirada do tratado de desarmamento nuclear INF, anunciaram ativistas da campanha antinuclear.

"A retirada do tratado INF iniciou uma nova Guerra Fria", alertou Beatrice Fihn, diretora da Campanha Internacional para a Abolição de Armas Nucleares (ICAN), prêmio Nobel da Paz em 2017.

O presidente americano, Donald Trump, anunciou em outubro do ano passado a saída de seu país do tratado de armas nucleares de alcance médio (INF), que foi assinado em dezembro de 1987  e proibiu os EUA e a União Soviética de possuírem e testarem mísseis balítiscos de médio alcance (de 500 km a 5,5 mil km).

Pelo tratado, Washington e Moscou destruíram, respectivamente, 846 e 1846 mísseis. Dado seu alcance limitado, eles eram tratados como uma ameaça de guerra nuclear na Europa. Além disso, pelo tempo curto de voo e padrão difícil de detectar, eram mais sucetíveis a acidentes. 

Washington acusa Moscou de ter violado os dispositivos do tratado ao desenvolver um novo sistema de mísseis deste tipo. Em represália, o presidente russo, Vladimir Putin, suspendeu oficialmente no início de março a participação de seu país no INF

Nos três meses posteriores ao anúncio de Trump, o governo americano "assinou novos contratos de mísseis que superam um US$ 1 bilhões", afirma um relatório do ICAN e de outro grupo antinuclear, PAX. Os contratos foram assinados sobretudo com as empresas americanas Raytheon, Lockheed Martin e Boeing. "O Congresso (americano) deve investigar o 'lobby' de Boeing, Lockheed Martin e Raytheon, que ficaram com a maior parte dos contratos", afirmou Beatrice Fihn em um comunicado. 

Os autores do relatório admitem que não sabem se todos os novos contratos estão vinculados à produção de novas armas nucleares. "O que está claro é que existe uma nova corrida para a fabricação de mais mísseis, que beneficia algumas empresas americanas e inundará o mercado de mísseis sem considerar seu alcance", completou.

O relatório calcula que pelo menos US$ 116 bilhões de contratos governamentais estão atualmente em curso com empresas privadas na França, Índia, Itália, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos para a produção, desenvolvimento e armazenamento de armas nucleares. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.