Controle de armas nos EUA avança no Senado

Com apoio de 16 republicanos, projeto que prevê restrições à venda de armamento supera bloqueio apoiado pela Associação Nacional do Rifle

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2013 | 02h09

O Senado americano rompeu ontem um bloqueio regimental e colocou em debater o projeto de lei bipartidário de controle da venda de armas. A perspectiva era de aprovação do plano, que prevê a criação de um novo sistema de checagem de antecedentes criminais e doenças mentais de compradores de armas de fogo pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos.

Em votação, o Senado aprovou o rompimento do bloqueio por 68 votos a favor. Apenas 31se opuseram. Na bancada republicana, originalmente mais resistente à adoção de normas restritivas à venda de armas, 16 senadores votaram a favor. Dentre os senadores democratas, o mesmo partido do presidente americano, Barack Obama, dois votaram contra. Com isso, o debate sobre o projeto e a apresentação de emendas começaram.

"O trabalho duro vai começar agora. Há sentimentos muito poderosos de apoio e de oposição ao projeto", afirmou o líder democrata no Senado, Harry Reid. "Foi um enorme erro dos republicanos tentar bloquear esse projeto, especialmente à luz dos massacres ocorridos em Tucson, no Arizona, em Newtown e em outros lugares", afirmou o veterano senador John McCain, um dos republicanos a votar pelo fim do bloqueio.

Os debates prosseguiam às 20horas (horário de Brasília) de ontem, sem hora estabelecida para votação definitiva.

Propostas de emendas começaram a ser apresentadas, como a de impedir que pessoas que queiram dar como presente uma arma possam ser acusadas de tráfico. A iniciativa foi dos senadores Patrick Leahy, democrata, e Susan Collins, republicana. Um grupo de senadores pretendia propor a ampliação de programas federais de tratamento de doenças mentais para os veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão.

O senador democrata Charles Schumer declarou ter sido a votação prévia, contra o bloqueio do debate, uma vitória contra o domínio da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), a mais poderosa organização em defesa do direito do americano de portar armas de fogo. Os dois negociadores do texto final do projeto, entretanto, tiveram suas campanhas eleitorais financiadas pela NRA e consultaram a entidade sobre seu conteúdo.

Casa Branca. O presidente Barack Obama não reconheceu a paternidade do projeto final, bastante distante de sua ideia original de também proibir a venda de rifles de assalto e de munições de alta capacidade. Mas a Casa Branca considerou o início dos debates, no plenário do Senado, como um "passo na direção certa".

A votação de ontem foi acompanhada por parentes das vítimas do massacre na escola primária Sandy Hook, em Newtown, Estado de Connecticut. Nos dias anteriores, eles pressionaram congressistas em favor de controle na venda de armas.

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