Nicholas Kamm / AFP
Nicholas Kamm / AFP

Controle do Senado livra Trump de processo

Se impeachment passar pela Câmara será rejeitado pela sólida maioria de senadores republicanos

Beatriz Bulla, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2018 | 05h00

Se as notícias foram ruins para o presidente Donald Trump na Câmara, no Senado as eleições de meio de mandato favoreceram o republicano. Além de o partido de Trump ter ampliado a maioria – o crescimento pode ser de duas a quatro cadeiras –, o perfil dos eleitos torna o Senado mais conservador para os próximos dois anos.

A ampliação da maioria republicana permite que Trump tenha mais facilidade para aprovar nomeações que precisam da confirmação dos senadores – como indicações de juízes conservadores, incluindo uma eventual vaga de ministro da Suprema Corte. Por isso, o controle do Senado é visto como uma “grande vitória” por Trump e seus aliados.

A indicação do último ministro da Suprema Corte, Brett Kavanaugh, virou um cabo de guerra entre democratas e republicanos. Após o juiz ser acusado de abuso sexual, Trump iniciou uma batalha, acusando os democratas de tentar desmoralizar seu indicado. Kavanaugh acabou sendo confirmado pelo Senado por 50 votos a 48.

“A vida será mais fácil para Trump no Senado. Antes, ele tinha de negociar com republicanos moderados, mas agora o Senado se tornou mais conservador e fortaleceu Trump”, diz Louis Caldera, professor da American University. 

Os eleitos ao Senado nesta semana incluem políticos que, durante a campanha, mostraram alinhamento com a plataforma de Trump, como os republicanos Kevin Cramer , de Dakota do Norte, Mike Braun, de Indiana, e Josh Hawley, do Missouri.

Trump também fica livre da ameaça de um impeachment, pois um processo de afastamento precisa passar pelo crivo dos senadores depois de ser aberto na Câmara.

Já de olho nas eleições de 2020, a configuração do Senado é um mau sinal para os democratas na próxima corrida eleitoral. Eles terão de defender menos cadeiras do que os republicanos, mas, mesmo assim, terão dificuldade em obter maioria, pois grande parte das vagas está localizada em Estados que republicanos, como Texas e Kansas. Para piorar, os democratas terão de manter duas vagas em Estados que o presidente ganhou na eleição passada – Alabama e Michigan. 

 

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