Tom Brenner/Getty Images/AFP
Tom Brenner/Getty Images/AFP

Controle do Senado passa pelo Estado da Geórgia

Republicanos e democratas se armam para duas disputas que definirão quem terá maioria de senadores

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2020 | 01h17

WASHINGTON - Terminada a eleição, republicanos e democratas já marcaram um novo duelo. O local é o Estado da Geórgia, onde as duas disputas para o cargo de senador serão decididas no segundo turno, dia 5 de janeiro. Em jogo, estão o controle do Senado e a estabilidade do próximo presidente. Por isso, nas próximas semanas, o aparato partidário, as atenções da imprensa e o dinheiro de doadores serão canalizados para a campanha no Estado.

Neste ano, a Geórgia passou por uma situação inusitada: duas eleições para senador ao mesmo tempo. Na primeira, o republicano David Perdue tentou a reeleição contra o democrata Jon Ossoff. A segunda foi uma eleição especial, após a renúncia do republicano Johnny Isakson. A republicana Kelly Loeffler enfrentou o democrata Raphael Warnock.

De acordo com a lei estadual, a vaga é decidida em dois turnos – uma situação incomum nos EUA. E foi o que aconteceu em ambas as disputas. Perdue obteve 49,8% dos votos e Ossoff, 47,9%. Na outra eleição, Warnock conseguiu 32,9% votos e Loeffler, 25,9%.

Se as projeções se confirmarem, os republicanos ficarão com 50 dos 100 senadores. Os democratas, com 48. As duas disputas na Geórgia, portanto, passaram a significar o controle do Senado – em caso de empate, 50 a 50, o voto decisivo, segundo a Constituição americana, caberá à vice-presidente, Kamala Harris.

A poeira da eleição presidencial mal assentou e uma nova guerra já começou. No sábado, 7, o senador John Cornyn, republicano do Texas, disparou a primeira salva de tiros. “A maioria democrata no Senado tornará mais fácil o avanço da agenda radical de esquerda no Congresso”, escreveu Cornyn, no Twitter. “É preciso pará-los na Geórgia, no dia 5 de janeiro.”

Do outro lado, os democratas tentam capitalizar o momento de Joe Biden. “Uma maioria democrata no Senado dos EUA seria importante para ajudar o presidente eleito Biden a atender às famílias trabalhadoras em todo o país e na Geórgia”, afirmou o senador Chuck Schumer, líder dos democratas no Senado. “Se pegarmos a Geórgia, mudamos o mundo.”

Apesar do bom momento dos democratas, os republicanos estão em uma situação mais confortável. Eles podem até perder uma das disputas que manteriam o controle do Senado. Além disso, historicamente, os eleitores democratas costumam votar em menor número no segundo turno, como mostram os dados de eleições passadas para senador na Geórgia.

Não se sabe ainda qual o papel terá Biden na disputa. Alguns aliados do presidente eleito temem que ele queime capital político e se desgaste com Mitch McConnell, líder do Partido Republicano no Senado – com o qual precisará negociar temas importantes, desde a aprovação do gabinete até projetos de lei e estímulos econômicos.

A Geórgia é um Estado tradicionalmente conservador, mas que vem mudando rapidamente de perfil em razão da urbanização e do crescimento dos subúrbios de Atlanta.

Os democratas sonhavam tirar o Estado das mãos dos republicanos, mas vinham acumulando fracassos. O último havia sido a derrota de Stacey Abrams, candidata do partido ao governo do Estado, em 2018 – ela perdeu por apenas 50 mil votos.

Desta vez, Biden parece ter rompido a escrita. Na reta final da apuração, ele abriu uma vantagem de 7 mil votos sobre Trump, o que deve provocar uma recontagem automática. A façanha de Biden, no entanto, mostrou que é possível vencer na Geórgia e os democratas ainda mantêm a esperança de tirar dos republicanos o controle do Senado./NYT

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