Controle econômico tem impacto limitado

Os cortes nos preços de eletrodomésticos, peças automotivas e vestuário anunciados semana passada pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, devem ter um impacto limitado e temporário na inflação venezuelana, que em outubro subiu 5,1%, estimam economistas do país. Além disso, o aumento da fiscalização sobre o mercado cambial deve contribuir ainda mais para a distorção entre o dólar paralelo e oficial.

LUIZ RAATZ, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2013 | 02h07

O principal motivo para o sucesso limitado da medida é o pequeno peso desses setores na composição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) da Venezuela, que deve crescer 58% este ano, segundo previsão da consultoria Ecoanalítica. Segundo a metodologia do Banco Central da Venezuela (BCV), os eletrodomésticos, inseridos no setor equipamentos do lar do INPC são apenas o 7.º componente que mais pesa na medição do índice e respondem a 5,8% dele. Peças de vestuário, que equivalem a 7,2% da medição da inflação venezuelana, estão em 5.º lugar na lista, capitaneada pelos preços dos alimentos, que correspondem a 32,2% do INPC.

"Haverá uma diminuição temporária na pressão inflacionária, mas eletrodomésticos e roupas pesam pouco no índice de consumo", disse ao Estado o economista Boris Ackerman, da Universidade Simón Bolívar. "O impacto será mais político, com o objetivo de aumentar a popularidade do governo para as eleições municipais de dezembro."

As eleições regionais são vistas por alguns analistas como um referendo sobre os primeiros meses de Maduro no poder. O presidente foi eleito em abril, com apenas 1,5 ponto porcentual de vantagem sobre o líder oposicionista Henrique Capriles, um mês depois da morte do presidente Hugo Chávez.

Para a economista Jessica Grisanti, da consultoria Ecoanalítica, a longo prazo, a medida pode ampliar os problemas crônicos de escassez de bens no país, que em outubro atingia 22,4% dos produtos da cesta básica. "As medidas podem reduzir um pouco a inflação mas devem aumentar também a escassez. Com o dólar no câmbio paralelo dez vezes mais caro, a fatura será cobrada a longo prazo", afirmou.

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