Convenção do Fatah elege nova geração de líderes

O movimento palestino laico Fatah elegeu para seu diretório uma nova geração de líderes em votação realizada hoje, segundo resultados preliminares. A primeira convenção do Fatah em duas décadas parece ter rejuvenescido o partido em um momento crucial, apenas algumas semanas antes de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, revelar seu plano para buscar a paz entre israelenses e palestinos. Mahmoud Abbas foi mantido na presidência do partido. O resultado final deve ser conhecido ainda hoje. A última convenção do Fatah ocorreu em 1989 na Tunísia. Desde então, a reputação do grupo laico tem sido manchada pela corrupção e pelas derrotas eleitorais e territoriais para o movimento radical islâmico Hamas.

AE-AP, Agencia Estado

11 de agosto de 2009 | 13h16

Os dados iniciais mostram que líderes pragmáticos que nunca antes deixaram os territórios palestinos - e que passaram anos em prisões israelenses e falam hebraico - tiveram desempenho melhor do que linhas-duras exilados no Líbano e na Síria. "Esta eleição está criando um novo futuro para o movimento, uma nova era de democracia", declarou Mohammed Dahlan, de 47 anos, um ex-chefe de segurança de Gaza que figura entre os vencedores.

Segundo os resultados parciais, 14 das 18 cadeiras eletivas do Comitê Central do Fatah foram para novos membros. A velha guarda conseguiu eleger quatro representantes. As quatro vagas restantes do comitê, escolhidas por indicação, serão preenchidas pelo presidente Abbas e devem ir para representantes da velha guarda.

Também foram eleitos Marwan Barghouti, um líder militante de 50 anos de idade atualmente detido por Israel e visto como um provável futuro presidente palestino, e Jibril Rajoub, de 56 anos, um ex-assessor do histórico líder palestino Yasser Arafat. Rajoub observou que o resultado representa um distanciamento dos líderes anteriores da agremiação, muitos dos quais se encontram atualmente na casa dos 70 anos. "É um golpe contra uma liderança que monopolizou o movimento durante muito tempo sem nem ao menos prestar contas por seu trabalho", declarou.

Israel

Em Israel, a convenção do Fatah foi criticada pelo fato de o partido não ter renunciado à violência. Mas a plataforma do Fatah parece em linha com a proposta de paz de Obama. Os 2.300 delegados do partido endossaram o conceito de um Estado palestino independente estabelecido ao lado de Israel e obtido por meio de negociações de paz. No entanto, os delegados condicionaram eventuais negociações à total paralisação das obras em assentamentos judaicos nos territórios palestinos ocupados e se reservaram o direito de pegar em armas caso o diálogo fracasse.

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