Jonathan Ernst/Reuters
Jonathan Ernst/Reuters

Convenção republicana: Em discurso, Pence promete vacina contra coronavírus até o fim do ano nos EUA

Vice-presidente americano também pediu o fim dos atos violentos em protestos em cidades americanas, incluindo Kenosha, Wisconsin, onde um homem atirou e matou duas pessoas e feriu outra na noite de terça-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 18h26
Atualizado 27 de agosto de 2020 | 00h44

Discursando do Forte McHenry, perto de Baltimore (Maryland), o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, ofereceu uma resposta enérgica às críticas acirradas do democrata Joe Biden sobre como o presidente Donald Trump está lidando com a crise do coronavírus no país, prometendo que uma vacina segura e eficaz estará pronta até o fim do ano, apesar das poucas evidências de que os cientistas consigam essa meta. Depois de seu discurso, Trump e Melania chegaram ao local do discurso e se juntaram ao vice e sua mulher, Karen, no palco para ouvir o hino americano. 

Pence também pediu o fim dos atos violentos em protestos em cidades americanas, incluindo Kenosha, Wisconsin, onde um homem atirou e matou duas pessoas e feriu outra na noite terça-feira. A polícia prendeu um jovem de 17 anos sob a acusação de assassinato em primeiro grau. 

“Deixe-me ser claro, a violência deve parar - seja em Minnesota, Portland ou Kenosha”, disse Pence, ao aceitar uma nomeação formal para um segundo mandato com um discurso que encerrou a terceira noite da Convenção Nacional Republicana. “Teremos lei e ordem nas ruas da América.”

O vice, confirmado oficialmente como candidato à reeleição aos gritos de 'mais quatro anos', abordou diversos temas em seu discurso que passaram pela pandemia, o furacão Laura, que se aproxima dos EUA, os protestos antirracismo, Joe Biden, política externa, recuperação econômcia, entre outros. Foi a primeira noite da convenção em que não houve um fala ou um vídeo com a participação do presidente, que discursa nesta quinta-feira da Casa Branca. 

No início de sua fala, Pence disse às famílias que estão na rota do furacão Laura, que deve chegar ao país esta noite, que o governo americano oferecerá todo o apoio àqueles que forem prejudicados pela "grave tempestade. O furacão, que causou destruição e deixou mortos no Haiti e em Cuba no fim de semana, deve tocar a terra já na categoria 4 nos EUA. 

A primeira oradora da noite foi a governadora da Dakota do Sul, Kristi L. Noem, criticada no início da pandemia de coronavírus por não instituir uma quarentena no Estado.  

A governadora focou seu discurso na ideia de que os "princípios fundamentais da América estão sob ataque". "Este ano, a escolha para os americanos é entre um homem que valoriza esses ideais e tudo o que pode ser construído por causa delas, e um homem que não é guiado por esses ideais e, coincidentemente, não construiu nada", disse Noem.

Noem, uma forte aliada que recebeu o presidente no Monte Rushmore para seu evento de 4 de Julho, e brincou com assessores do presidente sobre a ideia dele de incluir seu rosto no monumento, pareceu comparar Trump a Abraham Lincoln em seu discurso esta noite.

“Ele estava preocupado com as pessoas que viram suas propriedades destruídas, suas famílias atacadas e suas vidas ameaçadas ou mesmo levadas embora. Essas boas pessoas estavam ficando cansadas e enojadas de um governo que não lhes oferecia proteção”, disse Noem sobre Lincoln, acrescentando:“Parece familiar?”

Um grupo de assessoras da Casa Branca escalado para esta noite espera transmitir um lado diferente do presidente Trump, de que se preocupa com as mulheres, apesar do seu histórico de rebaixar publicamente as mulheres e fazer ataques sexistas e misóginos. Kayleigh McEnany, sua quarta secretária de imprensa, relatou o apoio de Trump quando ela se tornou mãe pela primeira vez e decidiu fazer uma mastectomia preventiva.

Kellyanne Conway, a polêmica conselheira presidencial, disse que sua recente decisão de deixar a Casa Branca para se concentrar em sua família foi tomada com total apoio de Trump. Conway disse que, por décadas, Trump “elevou as mulheres a cargos importantes nos negócios e no governo”. "Ele nos confia e nos consulta, respeita nossas opiniões e insiste que estamos em pé de igualdade com os homens”, disse ela. "O presidente Trump me ajudou a quebrar uma barreira no mundo da política, dando-me o poder de administrar sua campanha até sua conclusão bem-sucedida”, disse Conway.

É um lado de Trump que muitos de seus assessores vem insistindo que existe em particular: o homem que cuida de seus funcionários, apoia as mulheres no local de trabalho e geralmente está ciente dos desafios que elas enfrentam. A campanha presidencial republicana está tentando conquistar o eleitorado feminino, já que pesquisas recentes mostram que as eleitoras registradas preferem o candidato democrata a Trump.

Para Entender

Eleições nos EUA: entenda o processo eleitoral americano

Saiba como funcionam bipartidarismo, prévias, escolha dos vices, colégio eleitoral, votos, apuração e pesquisas na disputa presidencial dos Estados Unidos

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.