Debbie Hill/EFE
Debbie Hill/EFE

Convenção republicana: Segunda noite tem discurso de Melania e participação polêmica de Pompeo

As duas participações renderam críticas dos democratas, que questionam se o uso da Casa Branca pode levar a violações da Lei Hatch de 1939, que impede servidores federais de se envolverem em certas atividades políticas

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 17h00
Atualizado 25 de agosto de 2020 | 22h37

WASHINGTON - O Partido Republicano deu início à segunda noite da Convenção Nacional Republicana, nesta terça-feira, 25, sob o lema Terra da Oportunidade. Entre os oradores, a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, deverá defenderá a reeleição de Donald Trump. O  secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em um rompimento com normas que desaconselham atividades político-partidárias do principal diplomata do país, também participará.

Os republicanos indicaram Trump a concorrer por um segundo mandato na segunda-feira, dia da abertura da convenção, pintando um retrato desolador dos EUA se o democrata Joe Biden conquistar a Casa Branca em 3 novembro.

Nesta terça-feira, Melania encerrará a programação com um discurso no Jardim Rosado da Casa Branca, em Washington, e Pompeo, que se acredita estar cogitando concorrer à presidência em 2024, falará de Israel, um dos países de sua visita diplomática ao Oriente Médio.

As duas participações renderam críticas dos democratas, que questionam se o uso da Casa Branca — onde Trump fará seu discurso de aceitação no Gramado Sul na quinta-feira — pode levar a violações da Lei Hatch de 1939, que impede servidores federais de se envolverem em certas atividades políticas.

Pompeo fala de Jerusalém, embora em julho tenha alertado diplomatas que indicados presidenciais não deveriam participar de atividades partidárias, de acordo com um comunicação diplomática não confidencial vista pela agência Reuters e enviada a todos os postos diplomáticos e consulares dos EUA no exterior.

Os comentários de Pompeo foram gravados em vídeo na noite de segunda-feira da cobertura do famoso King David Hotel em Jerusalém, tendo a Cidade Velha como plano de fundo.

O Departamento de Estado afirmou que a decisão de Pompeo de fazer um breve discurso para a convenção foi tomada em sua capacidade pessoal e não envolveu recursos do governo. Mas deixou muitos diplomatas estupefatos.

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“Você pode argumentar que os recursos do governo dos EUA não estão sendo usados”, disse um ex-diplomata, que, como outros, falou sob condição de anonimato para manter contatos dentro do Departamento de Estado. “Mas ele não está falando como secretário de Estado? Ele está falando como um 'João Ninguém'? Acho que não."

A vice-gerente de campanha de Biden, Kate Bedingfield, disse que a decisão de Pompeo de fazer um discurso político durante uma missão no exterior é um “uso descarado do cargo para objetivos abertamente políticos” que mina o trabalho essencial sendo feito pelo Departamento de Estado.

“A decisão do secretário Pompeo de servir como menino de recados da reeleição do presidente em uma missão diplomática financiada pelo contribuinte, e sua decisão de usar um de nossos parceiros mais próximos como adereço político nesse ato, é absolutamente vergonhosa”, disse Bedingfield.

A campanha de Trump minimizou as queixas sobre o uso de propriedades federais, como a Casa Branca, como palco partidário e disse que fará com que todos os funcionários e participantes cumpram a Lei Hatch. O presidente e o vice-presidente estão isentos da lei, mas poderia haver implicações para os funcionários, dependendo de seu nível de envolvimento.

Assunto de família

O segundo dia da convenção será um assunto de família: além da primeira-dama, discursarão dois dos cinco filhos de Trump: Eric, de 36 anos, e Tiffany, de 26. 

A estrela da noite, entretanto, será a terceira mulher da magnata do mercado imobiliário, Melania, de 50 anos, que discursará às 22h30 (horário local). Seu marido, de 74 anos, também aparecerá. 

Ele retornará a "um papel de destaque esta noite", disse seu diretor de comunicações, Tim Murtaugh. 

Melania, ex-modelo eslovena, buscará fazer as pessoas esquecerem o papelão de 2016, quando foi acusada de plagiar em sua mensagem trechos inteiros do discurso de Michelle Obama de 2008. 

Como as outras mulheres dos candidatos à Casa Branca, Melania Trump provavelmente tentará "mostrar o marido sob uma luz calorosa, humana e pessoal", disse à France Presse Katherine Jellison, historiadora da Universidade de Ohio./REUTERS, W. POST e EFE

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