Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Convenção republicana: Em discurso, Melania procura confortar famílias que sofreram com coronavírus

Primeira-dama dos EUA encerrou segunda noite do evento republicano abordando tema pouco tratado pelos oradores anteriores

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 22h23
Atualizado 26 de agosto de 2020 | 00h33

Na segunda noite da Convenção Nacional Republicana, a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, última a discursar, procurou dar algum conforto às famílias que sofreram perdas durante a pandemia do coronavírus e prometeu que seu marido "não descansaria enquanto não fizesse todo o possível para cuidar de todos os afetados pela terrível pandemia".

"Quero reconhecer o fato de que, desde março, nossas vidas mudaram drasticamente. O inimigo invisível, a covid-19, varreu nosso belo país. E impactou todos nós", disse ela. "Minhas mais profundas condolências vão para todos os que perderam um ente querido e minhas orações vão para os que estão doentes ou sofrendo. Sei que muitas pessoas estão ansiosas e algumas se sentem desamparadas. Quero que saiba que não está sozinho."

Ela afirmou que a administração de Trump "não pararia de lutar até que houvesse um tratamento eficaz ou uma vacina disponível para todos". A primeira-dama também agradeceu aos trabalhadores da linha de frente pela luta incansável contra o coronavírus.

Até o discurso de Melania, a convenção havia ignorado em grande parte a pandemia de coronavírus que já deixou quase 180 mil mortos nos EUA. 

Trump, que assistiu ao discurso da mulher junto a uma plateia nos jardins da Casa Branca,  emitiu um perdão presidencial e organizou uma cerimônia de naturalização na residência oficial, como foi mostrado em dois vídeos exibidos esta noite, mais cedo. Em ambos os eventos, nenhum dos participantes usou máscara, nem mesmo os convidados do discurso de Melania.

Antes do discurso de Melania, o secretário de Estado, Mike Pompeo, fez uma aparição, segundo assessores, a pedido de Trump, sem precedentes em uma campanha americana. Em viagem oficial a Jerusalém, Pompeo gravou um vídeo exibido esta noite no qual procurou projetar o presidente como o negociador final de um acordo recente entre Israel e os Emirados Árabes Unidos para normalizar relações diplomáticas. A participação de Pompeo foi feita em meio a críticas de adversários e aliados

Dois dos filhos de Trump, Eric e Tiffany, discursaram mais cedo e asseguraram que os EUA são um país melhor graças a seu pai. Os dois defenderam fortemente a gestão do pai e pediram para que ele seja reeleito. Eric, de 36 anos, e o terceiro filho de Trump, é vice-presidente dos negócios da família e afirmou que Trump conseguiu em seu primeiro mandato que os EUA deixassem de ser vistos como fracos aos olhos dos inimigos. 

"Sinto falta de trabalhar com você todos os dias, mas estou extremamente orgulhoso de estar na linha de frente dessa luta. Estou orgulhoso do que você está fazendo por este país", disse Eric. 

Sua irmã mais nova, Tiffany, de 26 anos, atraiu algumas críticas nas redes sociais durante seu discurso, dizendo que "como alguém que se formou recentemente", ela poderia "saber como os que estão procurando um emprego se sentem", embora seu pai seja um bilionário e o presidente do país. 

Caminho para vitória

De acordo com a TV americana CNN, o início da convenção republicana pareceu dar uma pista do que o presidente Trump acredita ser preciso fazer para conquistar os 270 votos do Colégio Eleitoral necessários para vencer a eleição. 

Dois dos oradores iniciais, um fazendeiro produtor de leite de Wisconsin e um pescador de lagostas do Maine, fizeram breves depoimentos sobre as políticas de Trump e defendendo sua reeleição. 

Trump está atrás de Biden nas pesquisas de intenção de voto em Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, três Estados que venceu em 2016. Ignorando esses, mas mantendo todos os outros Estados que venceu em 2016, ele receberia 259 votos no Colégio Eleitoral.

Estrategistas republicanos acreditam que a melhor chance de Trump é concentrar seus esforços em Wisconsin, onde ele poderia obter mais 10 votos no Colégio Eleitoral, totalizando 269, e ficando apenas a 1 da vitória. 

E Maine, embora seja um Estado de tendência democrata, tem dois distritos eleitorais - e divide seus dois votos com um indo um para o vencedor do Estado e outro para o vencedor do distrito. Se Trump perdesse o Estado, mas ganhasse o segundo distrito - rural onde o cultivo de lagosta é uma grande indústria - ele alcançaria exatamente os 270 votos eleitorais e ganharia um segundo mandato, segundo explicou a CNN.

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