Conversação de paz depende de decisão de Barak

Com as conversações de paz congeladas por causa do assassinato de dois israelenses, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, deverá decidir ainda nesta quarta-feira se envia de volta sua delegação ao Egito para mais negociações com os palestinos. Ontem, um grupo armado palestino matou dois comerciantes judeus israelenses na Cisjordânia. O governo de Israel responsabilizou a Autoridade Palestina (AP) pelo ataque, por ter ocorrido em área sob seu controle, a cidade de Tulkarem.Barak anunciou que iria avaliar à noite, com o chamado gabinete da paz, o retorno ao diálogo. No entanto, o alto funcionário palestino Yasser Abed Rabbo adiantou à imprensa que as conversações seriam reiniciadas amanhã, após o funeral de Etgar Zeitoun, de 32 anos, e Motti Dayan, de 27. Hoje, a palestina Aisha Abdel-Karin Nassar, de 28 anos, que sofrera um ataque cardíaco, morreu no carro que a levava a um hospital de Ramallah porque os soldados não deram permissão para o veículo cruzar um posto de controle. À espera de uma ambulância de Ramallah, Aisha faleceu. O Exército informou que iria checar o caso.Eleição próximaAs duas partes começaram no domingo, no balneário egípcio de Taba, uma maratona de dez dias de negociações com a finalidade de buscar pelo menos uma declaração de princípios sobre alguns tópicos, antes das eleições para primeiro-ministro de Israel, no dia 6. Um avanço no diálogo seria fundamental para o trabalhista Barak ter alguma esperança de reverter a desvantagem de 16 a 20 pontos percentuais em relação ao candidato oposicionista, o direitista Ariel Sharon, do Partido Likud.Mas tomar a decisão de voltar ao diálogo com a AP, após dois israelenses terem sido mortos em área sob controle palestino, pode piorar a imagem negativa de Barak junto ao eleitorado e dar mais munição a Sharon, que acusa Barak de fazer concessões excessivas aos palestinos. Sharon, cuja ascensão nas pesquisas de opinião se deve principalmente a seu discurso em favor do "aumento da segurança", exortou Barak a cancelar as negociações.O grupo islâmico fundamentalista Hamas assumiu a responsabilidade pelo ataque, justificando-o como uma ação contra dois agentes do serviço secreto de Israel, o Shin Bet. As forças de segurança israelenses ainda têm dúvidas sobre a autoria da ação e asseguram que as duas vítimas eram proprietários de restaurantes de Tel-Aviv que haviam ido a Tulkarem com um amigo árabe israelense para comprar produtos in natura mais baratos, mesmo tendo Israel proibido seus cidadãos de viajarem para os territórios ocupados. Quando so três almoçavam num restaurante, homens mascarados seqüestraram os judeus e os mataram. Hoje, o Exército reiterou a advertir que os israelenses estão proibidos de ir a Gaza e Cisjordânia.A morte dos dois israelenses elevou para 370 o número de mortos em quatro meses de intifada (310 palestinos, 13 árabes israelenses e outros 47 israelenses.

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