Conversações secretas entre EUA e Irã prepararam o terreno para o acordo

Governo Obama já negociava desde fevereiro fim do impasse nuclear com o Irã

24 de novembro de 2013 | 15h16

WASHINGTON - Os Estados Unidos e o Irã se empenharam secretamente em uma série de negociações face a face de alto nível ao longo do último ano, numa iniciativa diplomática de grande impacto do governo de Barack Obama que abriu o caminho para o histórico acordo nuclear selado neste domingo, 24, pela manhã em Genebra.

As discussões foram mantidas em segredo mesmo para os aliados mais próximos dos Estados Unidos, incluindo seus parceiros nas negociações e Israel até dois meses atrás, o que pode explicar como o acordo nuclear pareceu ser alcançado com muita rapidez após anos de impasse e feroz hostilidade entre o Irã e o Ocidente. Mas o sigilo das conversações também pode explicar, em parte, as tensões entre EUA e Franca, que no início deste mês recusou um acordo proposto, e Israel, que está furioso com o acordo e denunciou acidamente a aproximação diplomática de Teerã.

O presidente Obama autorizou pessoalmente as negociações como parte de seu esforço - prometido em seu primeiro discurso de posse - de buscar o entendimento com um país que o Departamento de Estado americano designa como o Estado patrocinador do terrorismo mais ativo do mundo. As conversações foram realizadas em Omã, no Oriente Médio, e outros locais, com o conhecimento de um círculo restrito de pessoas, segundo apurou a AP.

Desde março, o vice-secretário de Estado William Burns e Jake Sullivan, consultor principal de política externa do vice-presidente Joe Biden, reuniram-se pelo menos cinco vezes com autoridades iranianas. As quatro últimas reuniões secretas, realizadas desde que o reformista presidente Hassan Rohani tomou posse em agosto, produziram boa parte do acordo que depois foi formulado nas negociações em Genebra com Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China, Alemanha e Irã, segundo três funcionários de alto escalão do governo americano, que falaram na condição de anonimato por não estarem autorizados a discutir em pessoa a iniciativa diplomática altamente sensível.

As negociações ganharam um peso adicional há oito meses, quando Obama enviou o vice-secretário de Estado Burns, o assessor especial Sullivan e outras cinco autoridades para se reunirem com seus equivalentes iranianos em Mascate, capital de Omã. Obama enviou o grupo pouco depois de as seis potências abrirem uma nova rodada de negociações nucleares com o Irã em Almaty, no Casaquistão, em fins de fevereiro.

Os últimos encontros secretos entre EUA e Irã ocorreram pouco depois da Assembleia Geral da ONU, segundo as autoridades. Ali começou a tomar sua forma final o acordo alcançado ontem entre as partes. Nas negociações nucleares maiores deste mês entre as potências mundiais e o Irã em Genebra, Burns e Sullivan compareceram também, mas o Departamento de Estado fez de tudo para ocultar seu envolvimento, deixando seus nomes fora da lista da delegação oficial.

Eles foram alojados num hotel diferente do restante da equipe, usaram passagem dos fundos para entrar e sair dos locais de reunião e foram introduzidos furtivamente em sessões de negociação, chegando por elevadores de serviço ou corredores não utilizados só depois que os fotógrafos haviam saído. /AP

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