Convertido ao cristianismo pode ser executado no Afeganistão

Um afegão que se converteu do islamismo para o cristianismo - considerado um crime pela lei islâmica (a Sharia) - está sendo processado por um tribunal de Cabul e pode ser sentenciado à pena de morte. O acusado, Abdul Rahman, foi preso no mês passado após ser denunciado pela família. Rahman, de 41 anos, confessou que se converteu ao cristianismo 16 anos atrás, quando trabalhava como funcionário de uma ONG de assistência médica para refugiados afegãos no vizinho Paquistão. Ele morou durante nove anos na Alemanha e voltou em 2002 ao seu Afeganistão para tentar obter a guarda das duas filhas - atualmente com 13 e 14 anos -, que viviam com os avós, e a disputa acabou parando na polícia. O julgamento é o primeiro do gênero no país e está sendo considerado um desafio para os religiosos conservadores e os reformistas sobre qual tipo de Islã - radical ou moderado - deve ser adotado após a deposição do regime fundamentalista islâmico Taleban, em 2001. A Constituição, aprovada pelo novo governo, tem como base a lei islâmica, que estabelece que qualquer muçulmano que rejeitar sua religião deve ser condenado à morte. "Não estamos contra nenhuma religião no mundo. Mas no Afeganistão, este tipo de coisa é contra a lei. É uma afronta ao Islã. O promotor está pedindo a pena de morte", disse o juiz Ansarullah Mawlavezada à Associated Press. O veredicto deve ser anunciado em dois meses. O promotor, Abdul Wasi, disse que ofereceu retirar a acusação de Rahman se reconvertesse ao islamismo, mas ele rejeitou a proposta. No Afeganistão, 99% de seus habitantes são muçulmanos e 1%, hindus. Um funcionário humanitário cristão em Cabul disse anonimamente que há algumas poucas centenas de cristãos afegãos, mas poucos admitem sua fé com medo de represálias. As únicas igrejas do país ficam dentro das representações diplomáticas.

Agencia Estado,

20 Março 2006 | 19h58

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