Cooper é salvo da injeção letal no último minuto

Kevin Cooper estava no corredor da morte, a algumas horas de ser morto por uma injeção letal, quando chegou a notícia salvadora. A 9ª Corte de Apelação dos Estados Unidos decidira suspender a execução. E, ontem já tarde da noite, a Suprema Corte manteve essa decisão. Era um final inesperado para 18 anos de tentativas de evitar a execução pelo morticínio de quatro pessoas ? três da mesma família ? em 1983. A corte de apelação garantiu a suspensão da sentença de morte por considerar que a evidência ligando Cooper aos crimes deveria passar por novos testes, como ele vinha insistentemente pedindo, garantindo que uma revisão de seu caso provaria sua inocência.O Estado da Califórnia recorreu dessa decisão. E foi esse pedido que foi rejeitado, ontem, pela Suprema Corte .?Nenhuma pessoa deve ser executada se houver dúvida sobre sua culpa e com um teste facilmente disponível para determinar sua culpa ou inocência?, diz o acórdão da 9ª Corte de Apelação, acrescentando ainda que um juiz federal deve reabrir o caso e determinar novos testes sobre o cabelo loiro e uma camisa ensangüentada, usados como prova do crime ? testes que Cooper afirma que o exonerariam de culpa.?O público não pode permitir-se um erro. Nem Cooper pode?, acrescentaram os juizes da Corte de Apelação Barry Silverman e Johnnie Rawlinson, em sentenças separadas. Segundo eles, a execução será suspensa, mas apenas pelo tempo necessário para que os testes da camisa determinem se o sangue é das vítimas ou foi uma falsificação, como diz Cooper.O advogado do condenado, Lanny Davis aplaudiu a decisão da Corte de Apelação.?Pela primeira vez uma corte e uma investigação oficial poderão ouvir toda a evidência que o júri não teve permissão para ouvir?, disse Davis. ?Isto sugere não apenas que se pode descobrir que Kevin Cooper é inocente de uma vez por todas, mas que há três assassinos lá fora que precisam ser encontrados e julgados.? O apelo de Cooper por clemência foi negado recentemente pelo governador Arnold Schwarzenegger, na primeira vez que tal decisão chegou à sua mesa. Schwarzenegger disse que a evidência de que Cooper era culpado era esmagadora.?A decisão do 9ª Corte constitui uma intrusão injustificável na capacidade da Califórnia decidir a legalidade e o julgamento final que têm sido o sujeito de 18 anos de apelos pós-condenação e objeções colaterais?, escreveu o promotor geral Holly Wilkens no fracassado apelo à Suprema Corte.A decisão da Corte de Apelação foi festejada pelos simpatizantes de Cooper, incluindo o ator Denzel Washington e o reverendo Jesse Jackson. Mas os advogados de acusação e familiares das vítimas estão indignados.Cooper foi condenado por esfaquear e retalhar Douglas e Peggy Ryen, os dois de 41 anos, sua filha de 10, Jessica, e Christopher Hughes, de 11, depois de ter escapado da prisão em 1983. O filho dos Ryens, Joshua, então com 8 anos, sobreviveu depois de um corte na garganta.Cooper diz que a evidência de DNA foi ?plantada?, mas as cortes que o julgaram negaram novos testes, dizendo que não havia evidência de falsificação. Os advogados de Cooper também insistiram em que tinham novas evidências, fornecidas por uma mulher que disse ter visto, na noite das mortes, dois homens cobertos de sangue conversando num bar perto do local dos crimes.Mas a Corte de Apelação levou em consideração principalmente o fato de que Joshua Ryen disse, inicialmente, que três ou quatro homens cometeram os assassinatos e depois, quando viu o retrato de Cooper na televisão, negou que fosse o assassino. Desde então, Joshua tem dito que acredita que Cooper foi o assassino.

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