Reprodução/Twitter
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Cooperação em resgate pode reduzir tensões entre Butão e Nepal

Primeiros-ministros dos dois países se encontram após terremoto devastador e Butão oferece ajuda médica e US$ 1 milhão para resgate de vítimas

O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2015 | 10h33

KATMANDU - O primeiro-ministro do Butão viajou nesta segunda-feira, 27, para o Nepal para oferecer ajuda do país e levar equipes médicas para trabalharem no resgate de vítimas do terremoto de 7,8 graus na escala Richter que atingiu o país no sábado. O gesto foi visto por analistas como sinal de uma potencial amenização nas tensões entre as duas nações do Himalaia.

Os dois países tem uma relação conflituosa desde o fim dos anos 1990, quando dezenas de milhares de pessoas de origem nepalesa disseram ter sido expulsas do Butão. Essas pessoas vivem em campos de refugiados no leste do Nepal, que não os reconhece como seus cidadãos - ao mesmo tempo em que o Butão os acusa de serem imigrantes ilegais e se recusa a permitir seu retorno.


O premiê do Butão, Tshering Tobgay, encontrou-se com o colega nepalês, Sushil Koirala, e transmitiu mensagens de condolências do rei, do governo de as pessoas do Butão, segundo uma mensagem que Tobgay escreveu em sua conta no Twitter.

Tobgay também levou ao Nepal uma equipe de 63 médicos e um cheque de US$ 1 milhão para contribuir nos esforços de resgate das vítimas do terremoto. 

Para especialistas, essa visita pode ser o começo de uma mudança nas relações entre os dois países. "Foi um gesto interessante de boa-fé", afirmou Michael Hutt, professor de Estudos Nepaleses e Himalaios na Escola de Estudos Orientais e Africanos, de Londres. "Os colegas nepaleses receberam muito bem e apreciaram (o gesto do Butão)."

A possibilidade de as relações entre os dois países melhorarem também foi ajudada pelo fato de a maior parte dos refugiados nepaleses ter se mudado para outros países. Pelo menos 65 mil deles foram realocados nos Estados Unidos enquanto que mais de 10 mil foram para países como Austrália e Canadá, entre outros. Uma pequena parcela apenas ficou no Nepal, com esperança de voltar ao Butão.

"O incomodo entre os dois países, de certa maneira, se afastou", disse Hutt. "Ainda existe um acampamento que não quer ser reassentado um terceiro país. Há cerca de 10 mil a 15 mil pessoas nessa situação. A questão ainda se mantém, mas não é a mesma. Diminuído muito em relação ao que costumava ser." / NYT

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