Cooperação entre inimigos preocupa os americanos

Cenário: Joby Warrick / W. Post

O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2013 | 02h07

Autoridades americanas afirmam que a Coreia do Norte tomou medidas para ocultar detalhes sobre a arma nuclear que testou no mês passado. Os EUA previram o teste e o monitoraram a fim de obter indicações sobre a composição da bomba, a terceira detonada pela Coreia do Norte desde 2006. Os dois artefatos anteriores teriam usado plutônio das reduzidas reservas do material físsil desenvolvido pela Coreia do Norte no fim dos anos 90.

Existem dois caminhos para se chegar à fabricação de uma arma nuclear. A bomba que os EUA lançaram sobre Hiroshima, em 1945, usou urânio altamente enriquecido em seu núcleo e a que foi lançada três dias mais tarde sobre Nagasaki era à base de plutônio. O teste de uma bomba à base de urânio confirmaria que Pyongyang conseguiu um segundo caminho para a construção de artefatos nucleares, utilizando sua grande reserva de urânio natural e uma nova tecnologia de processamento. O Irã vem se concentrando no enriquecimento do urânio, supostamente para fins civis.

Os EUA estão temerosos em razão de um acordo concluído entre a Coreia do Norte e o Irã de cooperação tecnológica e científica - ambos já adquiriram no mercado negro tecnologia para enriquecimento de A.Q. Kahn, o cientista paquistanês acusado de vender segredos nucleares a governos estrangeiros.

O pacto foi assinado em Teerã em setembro com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Representando os norte-coreanos estava Kim Yong-nam, o segundo funcionário mais importante do país. Dez anos antes, Kim assinara um pacto semelhante com o governo da Síria, que, segundo os EUA, levou à construção de um reator secreto para a produção de plutônio perto da cidade síria de Deir al-Zour. O reator foi destruído por aviões israelenses em 2007. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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