Cooperação nuclear Brasil-Argentina completa 20 anos

Os chanceleres do Brasil, Antônio Patriota, e da Argentina, Héctor Timerman, celebraram hoje o vigésimo aniversário do acordo de cooperação nuclear que eliminou velhos temores em ambos lados da fronteira sobre uma eventual corrida para a preparação de armas atômicas na América do Sul. Na ocasião, há duas décadas, para efetivar o controle dos compromissos assinados, os dois países criaram a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (Abac).

ARIEL PALACIOS, Agência Estado

08 de julho de 2011 | 18h32

Durante um breve encontro com jornalistas no Palácio San Martín, sede da chancelaria argentina, Patriota afirmou que o exemplo de cooperação entre o Brasil e a Argentina "pode servir de inspiração em outras regiões" do mundo. O chanceler brasileiro considerou que o vigésimo aniversário da criação da Abac demonstrava o compromisso do Brasil e da Argentina com "a paz e a não-proliferação de armas nucleares".

Na década de 1950, a Argentina transformou-se no país pioneiro no desenvolvimento de energia nuclear na América Latina. Mas, durante o governo do presidente Carlos Menem (1989-99) o programa nuclear argentino ficou praticamente estancado. O país possui atualmente duas centrais atômicas. Em breve concluirá a terceira, cuja construção esteve paralisada durante duas décadas. O primeiro acordo nuclear bilateral entre o Brasil e a Argentina foi assinado em 1986 entre os presidentes Raúl Alfonsín e José Sarney.

Técnicos do Brasil e da Argentina mantêm desde o ano passado reuniões periódicas para aprofundar a cooperação nuclear entre os dois países. O principal projeto é o desenvolvimento e construção de reatores multipropósitos destinados à pesquisa médica e científica. Os dois lados estão analisando a cooperação para, de forma complementar, desenvolver a curto prazo os dois reatores, que utilizarão o mesmo tipo de combustível, o urânio enriquecido a 19,99%. Os reatores ficariam prontos em 2016. Segundo os técnicos brasileiros, o reator que seria construído no Brasil teria um custo total de R$ 850 milhões.

Visita

O chanceler Patriota também anunciou que o governo brasileiro espera a visita da presidente Cristina Kirchner em Brasília "provavelmente nos dias 10 ou 11 de agosto para inaugurar a nova embaixada da Argentina" no Distrito Federal.

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