Coordenação de Lula permitiu negociação na Bolívia

Atuando o tempo todo como um líder político pragmático e brandindo princípios do Estado de Direito e da democracia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordenou, na reunião de segunda-feira da União das nações Latino-Americanas (Unasul) em Santiago, a posição consensual que levou o presidente boliviano, Evo Morales, a aceitar a negociação com os quatro governadores da oposição. Contra a vontade de Evo, a Unasul rejeitou qualificar o movimento desses governadores de "golpe de Estado civil". A intervenção de Lula fortaleceu, ao mesmo tempo, a defesa de que era inadmissível qualquer tipo de contestação à legitimidade de Evo, bem como ao direito do líder boliviano pôr fim à violência e manter a integridade territorial do país mobilizando as Forças Armadas. Das reivindicações de Evo, a que foi explicitamente acatada foi a de a Unasul criar uma comissão para investigar os incidentes ocorridos no Departamento (Estado) de Pando, onde 18 pessoas foram mortas, segundo o governo. Uma vez declarada a legitimidade institucional de Evo, Lula foi enfático ao dizer ao colega boliviano que ele tinha a obrigação de promover o diálogo com os governadores oposicionistas. "Cabe ao Estado constituído induzir ao diálogo", resumiu Lula, para quem Evo deve usar a legitimidade das urnas e da Constituição para negociar e também para impor a ordem. A Unasul evitou transferir qualquer papel de intermediação à Organização dos Estados Americanos (OEA). Foi uma maneira de rechaçar a idéia de citar na declaração final os EUA como suspeitos de interferência na região - discurso freqüente dos presidentes Evo e Hugo Chávez, da Venezuela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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