Copa ameaça ampliar abstenção na Colômbia

Grande vantagem de candidato governista é outro fator de apatia da campanha para o segundo turno

Renata Miranda, enviada especial BOGOTÁ, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2010 | 00h00

2º turno. Os preparativos para a eleição em Bogotá fez com que o Dia dos Pais fosse adiado.

 

Além da falta de entusiasmo causada pela ampla vantagem nas pesquisa do candidato Juan Manuel Santos, do partido do presidente Álvaro Uribe - que tem cerca de 40 pontos porcentuais de vantagem sobre seu rival, Antanas Mockus, do Partido Verde -, o segundo turno de amanhã enfrenta outro desafio: os jogos da Copa do Mundo.

Apesar de a Associação do Comércio ter adiado o Dia dos Pais - que em vários países se celebrará amanhã - para a semana que vem, os jogos do Mundial disputam com a eleição a atenção dos colombianos. O voto no país não é obrigatório e há o temor de que o jogo aumente a abstenção.

A seleção da Colômbia não se classificou para a Copa, mas a paixão pelo futebol e a torcida pelo Brasil é grande no país. Bares, restaurantes e lojas organizam eventos durante os jogos. Na Praça Bolívar, onde fica a sede do governo, a TV Caracol montou um telão para a população acompanhar os jogos.

"O dia 20 é muito importante para o Partido Verde", afirmou Mockus, pedindo o comparecimento de seus eleitores. "Não vale a desculpa "eu queria votar em você, mas o jogo (da Copa) estava tão bom..."." Em Medellín, no encerramento de sua campanha no início da semana, Santos também pediu a seus partidários que deixem de assistir aos jogos "por alguns minutinhos para fazer um gol contra a abstenção no domingo".

O índice de abstenção no primeiro turno, dia 30, foi de cerca de 50% - compatível com o padrão histórico.

"É muito provável que a abstenção amanhã seja ainda maior que no primeiro turno pois, além de as pessoas acharem que o voto não fará diferença no resultado final, o Mundial influencia bastante", disse ao Estado Manuel Salamanca, professor da Faculdade de Ciências Políticas da Universidade Javeriana. "Estamos tentando lembrar os jovens que temos de ir às urnas no domingo, apesar da Copa", afirmou a estudante Johana Mariño, de 20 anos, voluntária da campanha de Santos.

Para tentar evitar o aumento da abstenção, os candidatos intensificaram a campanha no segundo turno.

Nesta semana, Mockus saiu pelas ruas de Bogotá batendo de porta em porta, tentando convencer indecisos a optar por ele amanhã. Segundo o candidato, seu objetivo era conseguir que os 3 milhões de votos que obteve no primeiro turno se multipliquem por três no segundo.

"Nesta segunda fase, a estratégia de Mockus foi mais ambígua, com ele tentando manter os votos que conseguiu e lutando para atrair os indecisos", afirmou o cientista político Rodrigo Losada. "Já Santos insistiu em sua proposta de unidade nacional, sugerindo que todos os partidos podem contribuir para o desenvolvimento - até mesmo o Partido Verde, de Mockus."

Para o analista Gabriel Murillo, da Universidade dos Andes, uma mudança significativa na segunda fase da campanha foi o aumento dos ataques entre os candidatos. "Mas acredito que nada disso alterará o resultado", afirmou Murillo. "Em se tratando de política e do comportamento do eleitorado, nada é absoluto, mas os resultados anteriores e as alianças feitas por Santos indicam uma vitória tranquila amanhã."

Entre as estratégias que impulsionaram Mockus em alguns momentos da campanha está o uso das redes sociais na internet, como o Facebook e o Twitter. Em resposta, Santos lançou um site interativo no qual os eleitores poderiam denunciar problemas e sugerir soluções.

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