Coréia adverte Estados Unidos sobre seu potencial militar

Reagindo às advertências do secretárioda Defesa norte-americano, Donald H. Rumsfeld, de que os EstadosUnidos estão preparados para lutar em váriasfrentes, a Coréia do Norte acusou nesta terça-feira os "falcões americanos defensores da força" de pôr a Península Coreana na iminência de uma "catástrofe". "A Coréia do Norte dispõe de meios defensivos e ofensivosmodernos capazes de punir e derrotar qualquer inimigo",advertiu o ministro da Defesa norte-coreano, Kim Il-chol. Rumsfeld havia advertido Pyongyang para não tirar vantagens dofato de a atenção dos Estados Unidos estar voltada para umeventual ataque ao Iraque, numa alusão à decisão de Pyongyang dereativar uma central nuclear lacrada em 1994 pela AgênciaInternacional de Energia Atômica (AIEA). O reator dessa central, em Yongbyon, usa urânioenriquecido como combustível. Esse material pode sertransformado em plutônio - a matéria-prima da bomba atômica. A ameaça concreta de ataque feita por Rumsfeld irritou oregime comunista norte-coreano. O jornal Rodong Simnum, órgãooficial do PC norte-coreano, acusou os Estados Unidos detentarem internacionalizar a crise. "Se a Casa Branca insistir nessa estratégia vai desencadearuma catástrofe incontrolável", avisou o diário. Principal aliada de Pyongyang, a China pediu moderação ediálogo para neutralizar a grave crise. O governo russo criticouPyongyang pela decisão de religar a central nuclear de Yongbyone retomar seu programa de armas nucleares. "É uma violação do Tratado de Não-Proliferação de ArmasNucleares, do qual a Coréia do Norte é signatária", disse umporta-voz do presidente Vladimir Putin. Essa preocupação foi levada hoje diretamente ao lídernorte-coreano, Kim Jong-il, pelo prefeito de Moscou, Yuri Lujkov, que se encontra em visita oficial à Coréia do Norte. Indiferentes às advertências internacionais, cientistasnorte-coreanos removeram todos os dispositivos de segurança,monitoramento e lacração colocados na central pela AIEA. Einiciaram trabalhos de reparos para reinciar as operações, que,segundo Pyongyang, visam apenas ao fornecimento de energiaelétrica. Mas observadores da AIEA suspeitam de que o regimenorte-coreano esteja providenciando a retirada dali de cerca de8.000 barras de urânio enriquecido para reprocessamento eprodução de armas. O diretor-geral da AIEA, o egípcio Mohammadel-Baradei, acha que os norte-coreano podem produzir pelo menosseis bombas atômicas num curto espaço de tempo. "Os falcões norte-americanos são arrogantes a ponto deafirmar, sem base nenhuma, que a Coréia do Norte está dandoandamento a um suposto programa nuclear, levando sua políticahostil para uma fase perigosa", insistiu o ministro da Defesanorte-coreano, Kim Il-chol, em declaração reproduzida pelaagência estatal KCNA. O presidente sul-coreano eleito, Roh Moo-hyun, que temcriticado a posição dos Estados Unidos em relação à Coréia doNorte, debateu a situação com os embaixadores da Rússia, China eJapão. E telefonou para o primeiro-ministro japonês, JunichiroKoizumi. Segundo um porta-voz, o presidente eleito pediu aos diplomatasesforço para contornar a crise de forma pacífica. Numa eventualguerra nuclear, o território sul-coreano seria o primeiro a seratingido.

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