Coreia ameaça EUA com ataque nuclear

Governo norte-coreano acusa país de tentar invadir seu território e de recomeçar guerra, antes de ONU votar sanções

CLÁUDIA TREVISAN , CORRESPONDENTE / PEQUIM , O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h04

A Coreia do Norte elevou ontem o tom de sua retórica bélica e ameaçou, pela primeira vez, realizar um "ataque nuclear preventivo" contra os EUA, horas antes de o Conselho de Segurança da ONU se reunir em Nova York para votar novas sanções econômicas contra o país.

Pyongyang já havia anunciado, na terça-feira, que deixaria de reconhecer o armistício que colocou fim à Guerra da Coreia, em 1953, caso Washington e Seul não suspendessem exercícios militares conjuntos iniciados há uma semana e previstos para durar dois meses.

As manobras anuais envolvem 200 mil soldados sul-coreanos e 10 mil americanos. Além do treinamento, as atividades são uma demonstração de poderio militar, com o objetivo de conter o regime que há pouco mais de um ano é comandado por Kim Jong-un, que representa a terceira geração da dinastia que governa o país desde 1948.

A Coreia do Norte diz que as operações são uma preparação para a invasão de seu território. "Como os EUA estão prestes a começar uma guerra nuclear, exerceremos o nosso direito de realizar um ataque nuclear preventivo contra o quartel-general do agressor", declarou o porta-voz da chancelaria norte-coreana. Segundo o texto, tornou-se "difícil evitar uma segunda guerra da Coreia".

Ninguém acredita que Pyongyang cumpra a ameaça, já que um ataque nuclear contra os EUA significaria o suicídio do regime, que tem na China seu maior aliado. Apesar de os dois países terem lutado lado a lado contra os americanos na Guerra da Coreia, Pequim condena o programa nuclear de Pyongyang e votou a favor das sanções econômicas.

A escalada retórica é interpretada por analistas como uma estratégia de defesa de Kim Jong-un para forçar os americanos a negociarem um acordo de paz com o país. A Guerra da Coreia terminou há quase 60 anos com um armistício que estabeleceu a "completa suspensão de hostilidades na Coreia". O documento previa que os envolvidos no conflito deveriam começar a negociar um acordo de paz no prazo de três meses, o que nunca ocorreu. Isso significa que, tecnicamente, a guerra não acabou.

O acordo de paz determina a retirada de todas as forças estrangeiras da região. "Os EUA estenderam de maneira deliberada o armistício", observou outra nota divulgada pelo governo norte-coreano ontem - os EUA mantêm 28 mil soldados na Coreia do Sul.

Apesar da baixa probabilidade de um ataque, não há dúvida de que o regime obteve avanços em seu programa nuclear desde o ano passado. Em dezembro, o país colocou em órbita um satélite, com a utilização de um foguete que tem tecnologia semelhante ao que pode ser utilizado para carregar armas nucleares.

Em fevereiro, Pyongyang realizou seu terceiro teste nuclear, com a explosão de uma bomba mais leve e mais potente que as detonadas em 2006 e 2009. Analistas, porém, ressaltam que o país ainda está longe produzir uma bomba pequena o bastante para ser colocada em um míssil e de ter a habilidade de guiá-lo a um alvo predeterminado.

Os EUA disseram ontem que o país é totalmente capaz de se defender de um ataque nuclear da Coreia do Norte. Jay Carney, porta-voz da Casa Branca, afirmou que Pyongyang "não conseguirá nada por meio de ameaças e provocações."

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