Coreia do Norte abandona acordos com Coreia do Sul

A Coreia do Norte anunciou ontem que estava abandonando todos os acordos militares e políticos com a Coreia do Sul, ampliando as tensões entre os dois países, que começaram após a posse do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, em fevereiro de 2008. O país comunista também disse que não respeitará a fronteira marítima com a Coreia do Sul.Para Donald Gregg, ex-embaixador dos EUA na Coreia do Sul e diretor da ONG Korea Society, com sede em Nova York, a decisão do governo de Pyongyang e sua retórica buscam fazer com que o novo governo de Seul reduza sua política de linha dura e atrair a atenção do novo governo americano."A Coreia do Norte foi esperta o suficiente para não fazer acordos com o desacreditado governo (George W.) Bush. Os norte-coreanos suspeitam das transições nos EUA, pois Bush não respeitou os acordos assinados nos últimos meses do governo de seu antecessor, Bill Clinton", disse Gregg ao Estado."Agora, acredito que Pyongyang está preparado para negociar com o governo Barack Obama sobre seu programa nuclear e há uma grande chance de progresso", acrescentou.O Departamento de Estado americano descreveu a decisão da Coreia do Norte como "pouco útil" e disse que as ameaças não impedirão os EUA de levar adiante conversações internacionais para persuadir o governo norte-coreano a abandonar suas armas nucleares.Alguns analistas alertaram sobre o risco de o aumento de tensões levar a uma confrontação militar. No entanto, mais otimista, o ex-embaixador americano acredita que a crise não chegará a esse ponto.O presidente sul-coreano negou ontem as acusações de Pyongyang de que as duras políticas de seu governo estão levando a Península Coreana a um conflito armado. "Espero que Pyongyang entenda que a Coreia do Sul tem afeição pelo Norte e acho que as duas Coreias podem manter negociações", disse Lee. Tecnicamente, os dois países continuam em guerra, pois não assinaram um acordo de paz, mas apenas um armistício após a Guerra da Coreia (1950-53).

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