Coréia do Norte aceita a desnuclearização, diz Tóquio

O líder norte-coreano, Kim Jong-il, prometeu à China que cumprirá a Declaração de 1992 pela qual Pyongyang aceita a desnuclearização da península da Coréia, indicaram neste domingo fontes diplomáticas japonesas citadas pela agência "Kyodo".Kim afirmou este compromisso durante seu encontro com o enviado especial chinês, Tang Jiaxuan, cuja visita à Coréia do Norte na quarta-feira e quinta-feira da última semana foi informada ao Japão pelo Governo de Pequim.Tang se reuniu com Kim Jong-il na quinta-feira, quando o líder norte-coreano afirmou também que não pretende realizar um novo teste nuclear.Além disso, segundo essas fontes, Kim teria pedido desculpas à China, último aliado da Coréia do Norte, pela realização do teste nuclear do último dia 9, algo a que se opunha radicalmente o Governo de Pequim.Por último, Kim Jong-il teria indicado que seu país está disposto a reunir-se com os Estados Unidos de forma bilateral ou no marco das conversas multilaterais sobre o programa nuclear norte-coreano, desde que Washington retire as sanções financeiras impostas à Coréia do Norte há um ano.Segundo o relatório fornecido pelo Governo chinês ao Japão, as palavras de Kim indicam que o regime norte-coreano não realizará um novo teste nuclear, como foi pensado pelos Governos da região ao longo desta semana.De acordo com Tang, Kim Jong-il disse que uma das "instruções no leito de morte" que recebeu de seu pai, o presidente Kim Il-sung, que faleceu em 1994, foi que "cumprisse com o objetivo da desnuclearização da península coreana".No entanto, Kim afirmou que "prestará muita atenção na resposta que será dada pelos Estados Unidos" e reivindicou neste sentido a suspensão das sanções que a Casa Branca impôs há um ano a instituições financeiras ligadas à Coréia do Norte por suposta lavagem de dinheiro e falsificação de dólares para a compra de tecnologia de destruição em massa.Em declarações à "Kyodo", outro representante do Governo japonês comentou que Tóquio e Washington acreditam que a "Coréia do Norte não mudou em sua posição básica", apesar das palavras do líder norte-coreano.Essas fontes oficiais lembraram que, em ocasiões anteriores, Kim Jong-il tinha prometido cumprir a promessa realizada a seu pai neste assunto e, no entanto, tinha mentido, pois em fevereiro de 2005 a Coréia do Norte anunciou em grande estilo que já possuía armas nucleares.O representante do Governo japonês lembrou que, em junho do ano passado, o líder da Coréia do Norte manifestou ao então ministro da Unificação sul-coreano, Chung Dong-young, que a Declaração de 1992 "ainda era válida".Além disso, em setembro de 2005, a Coréia do Norte assinou um documento adotado na quarta rodada das conversas com Coréia do Sul, Rússia, China, Japão e EUA sobre seu programa nuclear, no qual se destacava, entre outros pontos, que a Declaração de 1992 "devia ser cumprida e colocada em prática".Essa declaração conjunta baseada no princípio de uma península coreana sem armas atômicas foi estipulada em dezembro de 1991 entre Seul e Pyongyang, e entrou em vigor em fevereiro de 1992.A declaração limita o uso da energia nuclear para fins pacíficos e proíbe o teste de armas atômicas, sua produção e seu posicionamento na península da Coréia.

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