KCNA/via REUTERS
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Pyongyang aceita dialogar com Seul após adiamento de exercícios militares

Última vez em que as duas Coreias realizaram conversas oficiais foi em dezembro de 2015; encontro deve ocorrer no vilarejo de Panmunjom na terça-feira

O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2018 | 04h19
Atualizado 05 Janeiro 2018 | 14h26

SEUL - A Coreia do Norte concordou nesta sexta-feira, 5, em realizar conversas oficiais com Seul na próxima semana, as primeiras em mais de dois anos, horas após os EUA e a Coreia do Sul terem adiado exercícios militares em meio ao impasse sobre os programas nuclear e de mísseis norte-coreanos.

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Seul disse que o governo norte-coreano enviou sua aprovação às conversações a serem realizadas na terça-feira. A última vez em que as duas Coreias realizaram conversas oficiais foi em dezembro de 2015.

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A reunião vai ocorrer no vilarejo fronteiriço de Panmunjom, onde autoridades de ambos os lados devem discutir os Jogos Olímpicos de Inverno, que serão realizados na Coreia do Sul no mês que vêm, e outros temas da relação intercoreana, disse o porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano, Baik Tae-hyun, a repórteres.

Pyongyang pediu que as negociações futuras sobre o encontro sejam realizadas por correspondências documentadas, disse Baik. As autoridades que representarão os dois países ainda serão confirmadas.

O líder norte-coreano, Kim Jong-un, abriu o caminho para conversas com Seul em um discurso de ano-novo, no qual pediu por uma redução das tensões e sinalizou uma possível participação da Coreia do Norte nas Olimpíadas de Inverno.

Entretanto, Kim permaneceu firme na questão de armas nucleares, dizendo que Pyongyang continuará a produzir mísseis nucleares em massa e, mais uma vez, advertiu que realizará um ataque nuclear se seu país for ameaçado.

Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Coreia do Sul, Moon Jae-in, anunciaram na quinta-feira que os exercícios militares anuais de larga escala na região acontecerão somente após as Olimpíadas de Inverno.

A Coreia do Norte vê essas simulações como preparação para uma invasão, e as usa como justificativa para seu programa de armas, que desenvolve em desafio às resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Seul e Washington tecnicamente ainda estão em guerra com Pyongyang depois que o conflito coreano de 1950 a 1953 terminou com uma trégua, e não com um tratado de paz. / REUTERS

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