Coreia do Norte aceita retomar diálogo com Coreia do Sul

Vizinhos vivem sob tensão de constante troca de farpas e questão nuclear norte-coreana

Reuters

21 de janeiro de 2011 | 08h44

SEUL - A Coreia do Norte informou na quinta-feira, 21, que aceita retomar o diálogo com a Coreia do Sul, no mesmo dia em que o jornal The New York Times revelou que os EUA ameaçaram mobilizar mais forças militares na Ásia se a China não controlar seus aliados norte-coreanos.

 

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Uma fonte de alto escalão do governo disse ao jornal que o alerta feito pelo presidente Barack Obama persuadiu a China a adotar uma postura mais dura com relação a Pyongyang, e que isso abriu as portas para a retomada do diálogo intercoreano, possivelmente em fevereiro.

A Coreia do Norte aceitou na quinta-feira as condições de Seul para as negociações, o que representa um importante avanço na atual crise e pode ser o prenúncio do reinício das negociações multilaterais para o desarmamento nuclear norte-coreano.

O Times disse que Obama alertou seu colega chinês, Hu Jintao, de que os EUA poderiam mobilizar forças na Ásia para se protegerem de um eventual ataque de Pyongyang ao território norte-americano, caso a China não aumentasse a pressão contra o país comunista vizinho.

O alerta foi feito inicialmente em um telefonema a Hu no mês passado, e repetido no jantar privado realizado na terça-feira na Casa Branca, segundo a fonte governamental. A Casa Branca não comentou a notícia.

Na semana passada, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, alertou que Pyongyang estava se tornando uma ameaça direta aos EUA, e que poderia desenvolver mísseis balísticos intercontinentais num prazo de cinco anos.

Wang Dong, da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim, disse que o suposto alerta de Obama foi um tapa na cara do líder chinês, que vinha pedindo às duas Coreias que resolvessem suas diferenças por meio do diálogo.

"Jogando duro desse jeito, temo que isso possa sair pela culatra", disse o acadêmico. "Se esse artigo representa o pensamento real dos líderes norte-americanos, o perigo de guerra na península nunca poderá ser desprezado. A China tem sua própria estratégia para tentar influenciar a Coreia do Norte. Ela quer encontrar o caminho menos custoso para resolver a crise."

O diálogo anunciado na quinta-feira será o primeiro contato entre as duas Coreias desde o bombardeio norte-coreano de novembro a uma ilha do Sul, que matou quatro pessoas e elevou as tensões na região.

O regime norte-coreano aceitou que o diálogo trate especificamente desse ataque e do naufrágio, em março de 2010, de uma corveta sul-coreana, que Seul atribuiu a Pyongyang. Dessa forma, o processo não deve tratar de questões de desnuclearização, que ficam reservadas ao diálogo multilateral - envolvendo também EUA, China, Rússia e Japão, além das duas Coreias.

EUA e Japão saudaram cautelosamente o diálogo intercoreano, enquanto a China não se manifestou. Analistas alertaram contra conclusões precipitadas em relação às negociações, já que dificilmente Pyongyang aceitará fazer um pedido de desculpas pelos incidentes do ano passado.

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