Coréia do Norte aceita terminar programa nuclear, dizem EUA

Após reuniões, negociador americano anuncia que Pyongyang entregará lista de programas atômicos

Jamil Chade, do Estadão,

02 de setembro de 2007 | 12h27

A Coréia do Norte concordou em identificar e desmantelar suas instalações nucleares, acabando com seu programa atômico até o final do ano. O anúncio do prazo foi feito neste domingo, 2, em Genebra pelo negociador americano Christopher Hill, depois de dois dias de reuniões com os norte-coreanos na cidade suíça. O representante da Casa Branca também declarou que Pyongyang aceitou entregar uma lista completa de seus programas atômicos. "Deixamos claro e mostramos nossa vontade de declarar e desmantelar todas nossas facilidades nucleares", afirmou Kim Gye Gwan, vice-ministro das Relações Exteriores da Coréia do Norte e chefe da delegação do país asiático nas negociações. "Estamos muito satisfeitos com a forma como as conversações de paz ocorreram", disse, em uma radical mudança de tom em comparação às declarações de 2006. Mas Pyongyang, ao contrário de Hill, não deu detalhes sobre a data do fim dos programas. Para a delegação americana, as negociações em Genebra foram as primeiras a resultar em um calendário para o fim dos programas norte-coreanos. "A Coréia do Norte fará uma declaração de todos seus programas nucleares e os desmantelará até o final desse ano, 2007", disse Hill após os encontros. Em troca, Washington prometeu reforçar a ajuda ao país e garantir parte do abastecimento de combustível. Mas Hill, subsecretário de Estado para a Ásia, não revelou detalhes da oferta que acabou convencendo a Coréia do Norte a aceitar o compromisso. Pyongyang havia sido colocado na lista de governos que apóiam o terrorismo e tensões chegaram a um ápice no segundo semestre do ano passado quando os norte-coreanos anunciaram um teste nuclear. Mas com uma profunda crise econômica e dependendo cada vez mais dos alimentos enviados pela ONU para garantir a sobrevivência da população, a Coréia do Norte passou a adotar um discurso menos agressivo nos últimos meses. Segundo as Nações Unidas, um número cada vez mais expressivo de norte-coreanos arriscam a vida para cruzar a fronteira com a China para escapar da fome. Em fevereiro, China, Coréia do Sul, Rússia, Japão e Estados Unidos já haviam acertado um compromisso com os norte-coreanos de que ajuda financeira seria garantida caso os programas nucleares fossem abolidos. A normalização das relações com a comunidade internacional, principalmente com os Estados Unidos, além de garantias de segurança. Ou seja, que nenhum país os atacaria com o pretexto de destruir as instalações nucleares. Desde então, a Coréia do Sul já enviou 50 mil toneladas de combustível. Em troca, Pyongyang encerrou as atividades de um reator de plutônio. No total, 1 milhão de toneladas de combustível seriam enviados com o fim dos programas nucleares. Os americanos ainda admitiram que o pacote inclui um calendário para que o presidente George W. Bush retire os norte-coreanos da lista de governos que patrocinam terroristas. Isso dependerá ainda de sinalizações da parte de Pyongyang de que as medidas de desmantelamento das instalações nucleares de fato estão ocorrendo. Quanto à normalização das relações entre os dois países, Hill afirmou que o tema faz parte do acordo e que as decisões em Genebra vão ajudar nesse ponto. Mas ressaltou mais uma vez que qualquer aproximação entre os Estados Unidos e os norte-coreanos dependerá de um compromisso que garantisse o fim dos programas nucleares. "Não vamos normalizar as relações até que tenhamos um Coréia do Norte desnuclearizada", afirmou. Segundo os americanos, a medida que será adotada por Pyongyang irá incluir os programas de enriquecimento de urânio. A Casa Branca teme que esses programas sejam utilizados para fabricar bombas. Em 15 dias, uma nova reunião deve ocorrer entre Coréia do Norte e o grupo de países que negocia o acordo. O objetivo seria detalhar o plano de desmantelamento das instalações. Os norte-coreanos, porém, se recusaram a falar sobre um novo segundo programa nuclear no país que estaria sido mantido em total sigilo.

Tudo o que sabemos sobre:
Coréia do NorteNuclearEstados Unidos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.