Coréia do Norte acusa AIEA de "ingerência"

A Coréia do Norte disse ontem que decisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de apresentar a disputa sobre o programa nuclear norte-coreano ao Conselho de Segurança da ONU era uma "interferência" em seus assuntos internos. A agência oficial norte-coreana KCNA chamou a AIEA de "poodle da América" e disse que a Coréia do Norte não tem obrigações legais com a agência após ter abandonado o Tratado de Não-Proliferação Nuclear em janeiro. A junta da AIEA aprovou uma resolução na quarta-feira denunciando a Coréia do Norte ao CS da ONU por não ter cumprido suas obrigações internacionais e iniciado um processo que poderá levar à imposição de sanções contra o Estado comunista. A crise foi desatada após a Coréia do Norte anunciar que estava reativando sua central nuclear de Yongbyon para suprir suas necessidades de energia depois de EUA e aliados suspenderem o fornecimento de petróleo. Pyongyang também acusou ontem os EUA de violarem o armistício que pôs fim à Guerra da Coréia, em 1953, ao aumentar o número de soldados na zona que separa a Coréia do Norte e a Coréia do Sul. "Tem ocorrido um aumento das manobras agressivas dos EUA na parte sul da zona desmilitarizada", denunciou o responsável militar da Coréia do Norte, Kim Gwang-gil. "Aumentaram o número de soldados, apesar de as duas partes já haverem estabelecido um número fixo de militares nessa zona, e de equipamentos pesados (blindados, tanques e lança-mísseis portáteis)", acrescentou. Há 37 mil soldados americanos estacionados na Coréia do Sul. O secretário americano de Estado, Colin Powell, declarou ontem ao Congresso dos EUA que a Coréia do Norte rejeitou uma proposta do governo americano para envolver China, Rússia, Coréia do Sul e outros países nas conversações sobre o programa nuclear norte-coreano. Segundo Powell, a questão é regional, pois o programa norte-coreano está ameaçando outros países vizinhos. "Não são só os EUA que têm de reduzir a ameaça do desenvolvimento armamentista da Coréia do Norte", disse Powell. Pyongyang insiste em um diálogo direto com os EUA e um pacto de não-agressão.

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