Coréia do Norte acusa Bush de planejar ataque preventivo

Pyongyang acusou o presidente dos EUA de preparar um ataque preventivo contra a Coréia do Norte, e o ministro da Defesa da Coréia do Sul pediu a Washington que não retire suas forças da fronteira com o Norte comunista enquanto a crise nuclear não for resolvida. O ministro sul-coreano da Defesa, Cho Young-kil, respondeu assim aos comentários do secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, que na quinta-feira disse que deseja que as forças americanas estacionadas na Zona Desmilitarizada sejam retiradas. Indicou que os soldados seriam levados mais para o sul, transferidos para outros países ou simplesmente regressariam aos EUA. Washington mantém 37.000 soldados na Coréia do Sul, muitos deles em bases próximas à fronteira, para deter um ataque comunista do Norte. Sua presença é resultado da Guerra da Coréia de 1950 a 1953 - que não terminou com um acordo de paz, mas apenas com um armistício. Segundo Cho, qualquer retirada deve ocorrer somente depois de ser resolvida a crise nuclear com os comunistas do Norte. Rumsfeld disse que a Coréia do Sul é perfeitamente capaz de defender a fronteira por si mesma. O presidente George W. Bush disse nesta semana que, se fracassarem as ações diplomáticas para resolver a crise, "a opção militar será nossa última alternativa". A agência oficial de notícias comunista KCNA disse nesta sexta-feira que seus comentários são uma ?indisfarçável revelação de que os EUA têm intenção de realizar um ataque preventivo contra as instalações nucleares da República Democrática Popular da Coréia?. Bush fez comentários adicionais na quinta-feira, indicando que o diálogo multilateral é a melhor forma de tratar os programas nucleares do Norte. No entanto, o país comunista não respondeu. Anteriormente, Pyongyang insistira em manter conversações diretas com os EUA para discutir o tema. "Mantivemos conversações bilaterais", disse Bush, referindo-se ao acordo de 1994, pelo qual os EUA se comprometeram a dar diversos tipos de ajuda ao Norte em troca de seu desarmamento. ?Os EUA cumpriram com sua parte no acordo, a Coréia do Norte, não". Indicou que "interessa aos vizinhos da Coréia do Norte" - China, Coréia do Sul, Japão e Rússia - saber "se a Coréia do Norte tem armas nucleares" e recomendou um esforço coordenado para isolar o governo stalinista de Kim Jong Il como uma forma de resolver a crise. Essas nações "devem cumprir suas responsabilidades, junto com os EUA, para convencer Kim Jong Il de que o desenvolvimento de um arsenal nuclear não responde ao melhor interesse de sua nação e que, se quer solucionar o sofrimento do povo norte-coreano, a melhor forma de fazê-lo é obtendo ajuda ainda não concretizada", disse Bush.O vice-chanceler russo advertiu que a insistência dos EUA em envolver outros países nos esforços para resolver o conflito com a Coréia do Norte está impedindo o caminho para uma solução padífica da crise. "Infelizmente, as tentativas para forjar um diálogo entre os EUA e a Coréia do Norte em qualquer formato falharam", disse o vice-chanceler Alexander Losyukov à agência de notícias Interfax. "Os EUA acham que isto só pode ser resolvido num formato multilateral, e esta é principal diferença", já que Pyongyang "pretende contatos bilaterais". O funcionário, emissário especial do Kremlin em questões ligadas à Coréia do Norte, alertou que "enquanto isso, a situação vai se deteriorando e, a menos que haja algum progresso, vai se tornando um problema perigoso". "A situação pode resultar na explosão de um conflito na Península Coreana, que pode ter conseqüências gravíssimas. As partes devem iniciar as negociações, seja qual for o formato que tiverem", insistiu Losyukov.

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