AP Photo/Jon Chol Jin
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Coreia do Norte acusa EUA de explorarem caso de estudante americano

Porta-voz da chancelaria norte-coreana disse que Washington emprega ‘até mesmo um morto para sua campanha conspiradora destinada à comunidade internacional para aumentar a pressão’ sobre Pyongyang; Otto Warmbier foi detido quando visitava o país como turista e condenado a 15 anos de trabalhos forçados

O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2017 | 08h44

SEUL - A Coreia do Norte acusou nesta sexta-feira, 29, os EUA de explorarem o caso de Otto Warmbier, estudante americano que morreu em junho em Ohio após mais de um ano em coma preso no país asiático e em circunstâncias ainda não esclarecidas. 

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Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano voltou a acusar Washington de mentir sobre o caso, depois que os médicos forenses não esclareceram as causas da morte de Warmbier e não puderam confirmar se ele foi torturado na Coreia do Norte, uma hipótese sustentada por sua família e pela Casa Branca

"O fato de que os EUA empregam até mesmo um morto para sua campanha conspiradora destinada à comunidade internacional para aumentar a pressão sobre a RPDC (República Popular Democrática da Coreia) mostra a vileza da sua hostilidade para nós", afirmou a chancelaria norte-coreana em um comunicado.

"Os médicos americanos, que realizaram o exame médico em Warmbier em junho no nosso país, e até outros que o fizeram após seu retorno aos EUA, reconheceram que não houve neste caso nenhuma 'tortura'", salientou a nota, divulgada pela agência de notícias estatal KCNA.

Pyongyang destacou que Warmbier "é um criminoso que foi punido no dia 16 de março de 2016 com trabalhos reeducativos", segundo a lei norte-coreana, por cometer "atos hostis" dirigidos por Washington.

O poder militar da Coreia do Norte

No entanto, as autoridades ofereceram assistência médica ao estudante em razão da deterioração da sua saúde, o libertaram e permitiram que ele retornassem ao seu país "de um ponto de vista humanitário", acrescentou a nota.

A Coreia do Norte afirmou ainda que a instrumentalização do caso é outra "provocação do velho louco (presidente americano, Donald) Trump e a cisma dos EUA, com base em dados infestados de fraudes e embustes". O país advertiu que este assunto "multiplica a inimizade e o desejo de vingança de todo o povo e o Exército coreano contra esse império".

O relatório americano não esclareceu as causas que provocaram a morte de Warmbier por falta de oxigênio e sangue no cérebro após realizar um exame externo do corpo, já que os pais não quiseram que fosse realizada uma autópsia completa.

Warmbier, de 22 anos, foi detido na Coreia do Norte em janeiro de 2016 quando visitava o país como turista e condenado a 15 anos de trabalhos forçados por tentar roubar um cartaz de propaganda política do hotel em que estava hospedado em Pyongyang.

Ele estava há mais de um ano em coma quando foi libertado em junho de 2017. Morreu uma semana depois, em solo americano.

Pyongyang sustenta que Warmbier sofreu um surto de botulismo e lhe deram um remédio para dormir, mas que o jovem não voltou a acordar. Em sua conta no Twitter, Trump afirmou na terça-feira 26 que "Otto foi torturado de maneira inacreditável pela Coreia do Norte".

O episódio aumentou ainda mais as tensões entre Washington e Pyongyang em razão dos contínuos lançamentos de mísseis e testes nucleares pelos norte-coreanos. / EFE

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