Coreia do Norte acusa governo Obama de interferência

Norte-coreanos acusam os Estados Unidos de tramar ataque com sul-coreanos e promete retaliação

Associated Press e Reuters,

11 de março de 2009 | 12h17

A Coreia do Norte acusou o governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de interferência em seus assuntos internos. Pyongyang afirmou que tomará "todas as medidas necessárias" para se defender do que qualificou como ameaças norte-americanas. O comunicado do Ministério das Relações Exteriores norte-coreano, porém, foi bem menos duro que a retórica usada pelos militares do país durante os exercícios militares realizados pelos EUA e pela Coreia do Sul, na segunda-feira. A Coreia do Norte chegou a ameaçar aviões de passageiros sul-coreanos e afirmou que suas tropas estavam de prontidão para um eventual confronto.   Veja também: Rússia e China pedem calma na península da Coreia   O texto não especifica qual seria a suposta interferência dos EUA, mas Washington já pediu recentemente que não seja realizado um teste de lançamento de um míssil. Além disso, Pyongyang sempre argumenta que os exercícios militares anuais entre norte-americanos e sul-coreanos são um ensaio para uma invasão ao país. A Coreia do Norte afirma que não pretende lançar um míssil, mas sim um satélite, como parte de seu programa espacial pacífico. Além disso, prometeu retaliar caso algum país derrube o experimento. EUA, Japão e Coreia do Sul advertiram Pyongyang para que não realize o lançamento, seja de míssil ou satélite, argumentando que o princípio envolvido é o mesmo.   Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU proíbe a Coreia do Norte de realizar qualquer atividade balística. A restrição foi aprovada após o primeiro e até agora único teste nuclear do país, em 2006. O lançamento, segundo vários governos, constituiria uma transgressão às sanções das Nações Unidas. A mídia relatou na semana passada que Japão e Estados Unidos podem tentar interceptar qualquer míssil balístico que venha a ser lançado pela Coreia do Norte. Pyongyang diz que o foguete faz parte de seu programa espacial pacífico e que qualquer tentativa de abater seu míssil será interpretada como ato de guerra.   Os comentários foram feitos no momento em que Rússia e China -- dois países entre os poucos aliados que restam à Coreia do Norte - também se disseram preocupadas com o aumento das tensões na península coreana. Desde que o conservador Lee Myung-bak assumiu a presidência da Coreia do Sul, Pyongyang praticamente rompeu relações com o país vizinho rico e nas últimas semanas vem intensificando sua retórica contra os Estados Unidos.   O funcionário norte-coreano disse que as relações entre as duas Coreias atingiram sua pior fase e que a situação se tornou tão tensa que "uma guerra pode irromper a qualquer momento devido à política insensata de confronto" movida pela Coreia do Sul. A Coreia do Norte vem adotando um discurso cada vez mais estridente, colocando suas forças armadas, que têm 1 milhão de soldados, em prontidão, como reação ao exercícios militares da Coreia do Sul, e planejando lançar um míssil de longo alcance.   Na quarta-feira o porta-aviões americano USS John C. Stennis fez uma escala na cidade de Busan, na Coreia do Sul, para participar dos exercícios, enquanto um destroier de mísseis guiados, o USS Chafee, estava nas águas ao largo do lado leste da península. O comandante do porta-aviões nuclear, almirante Mark A. Vance, disse que o exercício e a participação da frota não constituem de maneira alguma reação ao aumento das tensões que cercam os preparativos para o lançamento do míssil da Coreia do Norte.

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