Coréia do Norte acusa os EUA de planejarem ataque nuclear

A Coréia do Norte acusou neste domingo os EUA de planejarem um ataque nuclear contra o país, enquanto soldados americanos e sul-coreanos realizam manobras militares perto da fronteira entre as duas Coréias. Pyongyang também criticou a recente decisão de Washington de enviar mais bombardeiros de longo alcance a Guam, a cerca de 3,2 mil quilômetros da Península Coreana. Segundo a Coréia do Norte, Washington está planejando ataques preventivos contra suas bases militares e instalações nucleares que, segundo o governo americano, estão sendo usadas para fabricar bombas atômicas.A agência estatal de notícias do Norte, KCNA, disse que o Departamento de Defesa americano traçou um plano que inclui "não apenas ataques com mísseis e bombardeios aéreos maciços, como também o uso de armas nucleares". "O Exército e o povo (norte-coreanos) tomarão todas as medidas que forem possíveis para enfrentar as novas ações de guerra das forças hostis americanas", acrescentou. A tensão sobre o suposto desenvolvimento de armas nucleares por parte de Pyongyang aumentou na semana passada depois que aviões norte-coreanos de combate interceptaram por breve tempo um avião americano de reconhecimento que sobrevovava o oceano em direção à península da Coréia e o Japão.Os americanos também acreditam que Pyongyang está se preparando para testar outro míssil pronto. No final do mês passado, a nação comunista lançou mísseis navais a partir de sua costa leste. O Pentágono está colocando 12 bombardeiros B-1 e 12 B-52 em Guam para dissuadir possíves conflitos no Pacífico Ocidental.Durante os exercícios conjuntos deste domingo, centenas de soldados equipados com tanques e veículos blindados cruzaram um rio utilizando uma ponte móvel. Dois helicópteros militares sobrevovavam a zona. As manobras anuais, chamadas Terceiro Programa de Treinamento e Avaliação de Destreza, incluíram cerca de 7 mil soldados e 300 veículos militares. Os EUA têm 37 mil soldados estacionados na Coréia do Sul. Washington tem dito que deseja resolver a disputa de forma diplomática, mas não descartou uma opção militar. O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed El-Baradei, um dos chefes das inspeções da ONU de armamentos nucleares no Iraque, disse em uma entrevista que "todos os países devem ser tratados da mesma forma". Interrogado sobre se a Coréia do Norte é uma ameaça maior do que o Iraque, El-Baradei disse ao semanário alemão Bild am Sonntag: "Em ambos os casos, estamos preocupados com a proliferação de armamento nuclear. A diferença é que no Iraque nós podemos revistar agora com uma equipe de inspetores altamente qualificados para verificarmos se existe um novo programa de armas nucleares. Em relação à Coréia do Norte, os inspetores foram expulsos de lá em dezembro, e sabemos que o país tem possiblidades de produzir plutônio do grau que se usa para armamentos".

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