AFP PHOTO / Brendan Smialowski
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Coreia do Norte diz ter direito de derrubar caças americanos

Chanceler norte-coreano alerta que seu país se considera autorizado a abater os aviões dos EUA mesmo em águas internacionais, por atribuir a críticas de Trump o peso de uma declaração de guerra – uma interpretação ‘absurda’ para a Casa Branca

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2017 | 12h16
Atualizado 25 Setembro 2017 | 21h10

A Coreia do Norte afirmou nesta segunda-feira, 25, que os EUA declararam guerra ao país e anunciaram que poderão derrubar aviões americanos para se defender, mesmo que as aeronaves estejam fora de seu espaço aéreo. Pyongyang costuma fazer ameaças que não se realizam, mas esta ocorre em um momento de tensão sem precedentes, com troca de ataques pessoais entre o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong-un.

 A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, classificou de “absurda” a sugestão de que os EUA declararam guerra à Coreia do Norte. Também afirmou que não é “apropriado” um país derrubar aeronaves em espaço aéreo internacional.

“O mundo todo deve se lembrar claramente que foram os EUA que primeiro declararam guerra ao nosso país”, disse o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong-ho, em entrevista em Nova York, onde estava para a Assembleia-Geral da ONU.

Segundo ele, a declaração de guerra veio em um tuíte postado por Trump no sábado, no qual ele se referiu a Kim como “pequeno homem-foguete” e afirmou que seu regime não sobreviveria muito tempo. “Isso é claramente uma declaração de guerra, porque essas foram palavras de um presidente americano em exercício”, afirmou Ri, segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap News

Na entrevista, o chanceler se referiu ao voo de bombardeiros americanos B-1B em águas internacionais ao leste da Coreia do Norte, no sábado. “Já que os EUA declararam guerra, a partir de agora, mesmo que bombardeiros estratégicos dos EUA não voem sobre nosso espaço aéreo, nós vamos exercer nosso direito de autodefesa, incluindo o direito de derrubá-los a qualquer momento”, declarou. “Nós vamos ver, então, quem sobrevive por mais tempo.” 

Em sua estreia na Assembleia-Geral da ONU, há uma semana, Trump prometeu “destruir totalmente” a Coreia do Norte, caso tenha de defender os EUA ou seus aliados de uma ameaça do país asiático. 

O governo americano tem repetido que a possibilidade de uma ofensiva militar não está descartada. “Se a Coreia do Norte não parar com suas provocações, você sabe, vamos nos assegurar de que apresentamos opções para o presidente lidar com eles”, disse ontem o porta-voz do Pentágono, Robert Manning.

O tuíte de Trump no sábado foi uma resposta ao discurso de Ri na ONU, no qual ele se referiu ao presidente americano como um “desequilibrado mental cheio de megalomania”. Segundo Ri, as ameaças dos EUA são a principal razão para seu país desenvolver armas nucleares.

Desde que assumiu o poder, em 2012, Kim Jong-un acelerou o ritmo dos testes nucleares. No dia 3, Pyongyang detonou uma bomba – provavelmente de hidrogênio – muito mais potente que as lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki na 2.ª Guerra. O regime norte-coreano também intensificou os testes de mísseis balísticos e lançou dois que sobrevoaram o território do Japão nas últimas semanas.

Analistas acreditam que Kim esteja próximo de conseguir miniaturizar uma bomba e colocá-la em um míssil capaz de alcançar o território dos EUA. O principal objetivo do regime não seria atacar os americanos, mas exercer o poder de dissuasão de eventuais ataques contra a Coreia do Norte. 

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